AM paga R$ 8,3 mi sem contratos na saúde

Empresa beneficiada tem como atividade principal o comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria

Manaus – A Secretaria de Estado de Saúde (SES) pagou R$ 8,3 milhões em contratos indenizatórios – ou seja, sem contratos formais – à empresa Discol Distribuidora de Material Escolar Ltda. para fornecer serviços na área de Saúde em unidades do Amazonas.

(Foto: Simone Lima / GDC)

Na última quinta-feira (29), a SES empenhou R$ 402.296,22 para a Discol por serviços especializados de enfermagem e técnicos de enfermagem na Unidade de Pronta Atendimento (UPA) e na Unidade Hospitalar Maternidade, ambos na cidade de Tabatinga.

Chama atenção o fato da empresa Discol Distribuidora ter como atividade principal o comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria. Entre as atividades secundárias estão obras de urbanização em ruas, praças e calçadas; construção de instalações esportivas e recreativas; demolição de edifícios e outras estruturas; além de atividades de enfermagem.

A empresa ainda recebeu em 26 de junho R$ 301.996,20 por prestação de serviços de atenção à saúde (nível Superior e Médio) nas áreas de assistente social, auxiliar de farmácia, cuidador, farmacêutico e psicólogo. O pagamento também foi feito por meio pagamento indenizatório por reconhecimento de dívidas. Os serviços foram prestados em abril deste ano.

No dia 23 de abril, a SES pagou à Discol – também por meio de pagamento indenizatório -, R$ 311.665, 81 para prestar serviços de atenção à saúde no Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz.

Segundo dados do site cnpj.info, a empresa tem como sócio administrador Carlos Augusto Cavalcanti e sócio, Maria do Perpetuo Socorro Tapajós Cavalcanti. A Discol é classificada como de pequeno porte.

Em pagamento realizado em 1º de fevereiro, a empresa recebeu R$ 329.892,99, por serviços técnicos e especializados em enfermagem, fisioterapia, farmacêutico, assistente social, recepção e serviços gerais no Hospital de Campanha contra Covid-19 em Manacapuru. Os serviços foram prestados em junho de 2020.

Suspeitas

No início de julho , o deputado estadual Fausto Jr. (MDB) falou sobre os pagamentos indenizatórios no Amazonas e lembrou a Operação Maus Caminhos em ‘live’ com a deputada estadual Carla Zambelli (PSL-SP).

No encontro, o deputado explicou para todo Brasil como funcionavam os contratos indenizatórios no Amazonas, pagos nas gestões de 2011 a 2020. A prática, segundo o parlamentar, é uma porta aberta para a corrupção e começou no governo de Omar Aziz, em 2011, e se estendeu até 2020, na gestão de Wilson Lima.

“Em nove anos de contratos com suspeita de fraudes, foram pagos R$ 1,5 bilhão. Dinheiro que poderia ser usado na melhoria dos serviços de Saúde na capital e interior do Estado, mas foi envolvido num esquema de corrupção que deu origem à Operação Maus Caminhos da Polícia Federal”.

Anúncio