AM retira projeto com beneficio a 400 mil

De acordo com o deputado Wilker Barreto, a PEC destinava 10% do FTI para um cartão social, que beneficiaria, com R$ 100 milhões, cerca de 400 mil pessoas na capital e no interior do AM

Manaus – Os deputados estaduais Wilker Barreto e Dermilson Chagas, ambos do Podemos, criticaram na manhã desta quinta-feira (28), durante sessão extraordinária da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), a atitude do governador Wilson Lima (PSC) de ter retirado de votação uma proposta de emenda à constituição (PEC) para fortalecer as ações de enfrentamento à Covid-19 no interior do Amazonas. O projeto – que trata do repasse de R$ 100 milhões do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Estado (FTI) à causa, e contemplaria 200 mil pessoas em Manaus e 200 mil no interior – sequer entrou em pauta na ALE.

De acordo com o deputado Wilker Barreto, a PEC destinava 10% do FTI para um cartão social, que beneficiaria, com R$ 100 milhões, cerca de 400 mil pessoas na capital e no interior do Estado.

“O governador já solicitou a remoção do projeto. Tem que dizer para o governador que aqui não é chancelaria, aqui é um parlamento, aqui a gente discute o Executivo. A minha proposta era destinar 10% do FTI para o socorro social, e o governo retirou de pauta sob a justificativa de fazer ajustes. Ou seja, não vem mais o FTI. (…) Para mim, a retirada do FTI da pauta é um duro golpe na esperança do interior”, disse Barreto.

Segundo deputados, governador retirou de pauta um projeto que beneficiaria 400 mil pessoas no Estado (Foto: Reprodução)

Projeto da oposição

Segundo o deputado Dermilson Chagas, a PEC é de autoria dele e só foi retirada de pauta por Wilson Lima por ter sido apresentada por um deputado de oposição. Conforme Chagas, o governador não queria dar méritos de um projeto importante para alguém que não o apoia.

“Ontem (quarta, 27) nós recebemos uma mensagem do governador que tratava sobre o FTI, que foi criado para diminuir as desigualdades sociais entre os municípios. O governador se apropriou dessa forma (…) lançou uma proposta muito banal, pífia, esboçada no seu caráter, o que não representa um caminho para o avanço do interior. Dez por cento do FTI não é nada. Ele retira (a PEC) de pauta, prejudicando os municípios, pelo simples fato de ter sido feito por mim, que sou oposição, por eu ter sido o relator”, declarou o parlamentar.

Dermilson Chagas também cobrou a “sobra” orçamentária de R$ 4 bilhões que, segundo ele, o Governo do Amazonas não informou onde foi utilizada, e afirmou que quase todos os gastos no enfrentamento à Covid-19 no Estado são oriundos do governo federal.

Foguetório

O deputado Dermison Chagas também lembrou o foguetório e o “panelaço” realizados na noite desta quarta-feira (27) em Manaus. Na ocasião, a população pediu a saída do governador Wilson Lima.

Durante a sessão da ALE, o deputado Wilker Barreto pediu a prisão do governador do Amazonas, em razão das provas e dos fatos apresentados quanto as ações do governo do Estado na área da Saúde, como as mortes por falta de oxigênio nos hospitais.

“Cadê o pedido de prisão do governador? Porque nós temos muito mais elementos pelo crime de responsabilidade, pela morte por asfixia, elementos suficientes para se fazer a prisão de um assassino. O Ministério Público tem os elementos suficientes para colocar no xilindró esse assassino”, argumentou Wilker Barreto.

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