Após repercussão negativa, Guedes diz a Omar ter sido ‘pego em armadilha’

Omar Aziz (PSD) afirmou que Paulo Guedes queria que o senador fosse porta-voz do ministro da Economia do governo Bolsonaro

Manaus – O líder da bancada federal do Amazonas, senador Omar Aziz (PSD), afirmou que, após a repercussão negativa sobre a redução e simplificação de tributação com prejuízos aos incentivos que mantém a Zona Franca de Manaus (ZFM), o ministro da Economia, Paulo Guedes, ligou para o parlamentar e explicou a declaração. Aziz disse que o ministro afirmou ter sido ”pego numa armadilha e se excedeu”.

“O ministro queria que eu fosse seu porta-voz, eu disse ‘não, ministro, eu não sou seu porta-voz; da mesma forma que o senhor afirmou na Globo News aquilo que pensa sobre a Zona Franca. Se o senhor mudou de opinião, fale o senhor com suas palavras’”, detalhou o senador pelo Amazonas.

Omar disse que o ministro pediu uma reunião com o senador na próxima semana (Foto: Arquivo/ABr)

Omar relatou, também, que o ministro pediu uma reunião com o senador na próxima semana. “Eu disse que vou, mas não irei sozinho, levarei toda da bancada comigo. ‘E o senhor (Paulo Guedes) publicamente, gravando um vídeo, desfaça isto’”, frisou o senador.

Repercussão

Lideranças políticas do Amazonas reagiram à declaração do ministro que, em entrevista à Globo News, na noite desta quarta-feira (17). De acordo com o ministro, o País não pode ser impedido de reduzir e simplificar a tributação para os demais Estados, “algo inevitável”, em função somente da manutenção dos incentivos da ZFM, que ele desconsidera ser permanente, mesmo com a garantia constitucional. “A Zona Franca de Manaus fica do jeito que ela é, ninguém nunca vai mexer com ela” disse o ministro para completar que o governo federal não vai “ferrar ou desarrumar o Brasil para manter vantagens para Manaus”.

Em uma rede social, o governador do Amazonas Wilson Lima afirmou estar “indignado” com as declarações do ministro da economia. “O Polo Industrial de Manaus representa 80% das atividades econômicas do maior estado brasileiro e, por conta disto, temos 97% das florestas preservadas. Quando se fala em proteção, os incentivos da Zona Franca de Manaus não é só garantir o que está na Constituição. É evitar a tomada de decisões que possam afetar a competitividade de empresas que estão instaladas aqui”, afirmou. Wilson Lima finalizou dizendo que o governo irá continuar lutando para defender os empregos da região.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, afirmou esperar que Guedes reconheça o “peso” do Polo Industrial de Manaus, como faz a Organização Mundial do Comércio (OMC) na manutenção da floresta em pé. O prefeito disse, ainda, apoiar todas as reformas estruturais necessárias para se garantir um Brasil de Produto Interno Bruto (PIB) e qualidade de vida crescente. “Jamais barganharia nada ou usaria quem quer que fosse para barganhar”, disse.

O prefeito defendeu que o modelo Zona Franca de Manaus consolidou um polo industrial altamente pagador de tributos federais e, caso acabe e os investimentos se voltem para atividades agropastoris predatórias, poderá haver problemas diplomáticos e até o nervosismo militar internacional.

“Como diz o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas, Márcio Holland, o problema é que, de cada 100 economistas brasileiros, 110 nunca pisaram na Amazônia. Se o ministro fechasse os olhos por alguns minutos, em meditação, e imaginasse que tamanho de prioridade a Alemanha daria à Amazônia se esta fosse território seu, certamente, compreenderia o desperdício que, governo após governo, o Brasil pratica em relação à sua região mais rica e estratégica”, alertou Virgílio.

Por fim, o prefeito de Manaus considerou que a Revolução 4G já está em curso e dois dos seus principais pilares são a bioindústria e a sustentabilidade. “A biodiversidade está na Amazônia e não nos prédios áridos da Esplanada dos Ministérios”, finalizou.