Arthur desafia Alckmin a enfrentá-lo em ‘campo aberto’

O prefeito de Manaus reforçou a cobrança por prévias entre os pré-candidatos do PSDB à presidência da República, com uma carta enviada ao atual governador de SP

Brasília – Em carta enviada nesta segunda-feira (11) ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin — novo presidente do PSDB —, o prefeito de Manaus e pré-candidato a presidente Arthur Virgílio Neto radicalizou a cobrança pela definição de regras para a realização de prévias para escolha do candidato do partido ao Planalto e desafiou Alckmin a enfrentá-lo “em campo aberto”. As informações são do site do jornal O Globo.

“Gente com vocação para a vitória, afinal, não usa de escapismos para fugir a um enfrentamento saudável e necessário”, alfinetou Arthur.

Arthur tem defendido prévias internas do partido para a escolha do indicado à Presidência (Foto: Sandro Pereira)

Na última sexta-feira, em uma reunião no Senado, Virgílio e Alckmin tiveram uma discussão exaltada e ríspida. Nesta quarta-feira (13) haverá a primeira reunião da Executiva nacional sob o comando de Alckmin e as prévias estão na pauta. Mas, a interlocutores, Virgílio disse que a Executiva deverá derrubar as prévias sob o argumento de que não há cadastro dos filiados votantes.

O PSDB nunca realizou prévias para escolha de candidato a presidente e nas prévias para escolha do candidato a prefeito de São Paulo, em 2016, houve um racha com a escolha de João Doria. O deputado Andrea Matarazzo deixou o PSDB e agora os tucanos temem um novo racha as vésperas de 2018, mas não conseguiram demover Arthur de desistir para fortalecer o nome de Alckmin.

Na carta enviada hoje a Alckmin, o prefeito de Manaus reforça que na reunião de sexta-feira, patrocinada pelo senador Tasso Jereissati (CE), onde os dois decidiram alguns pontos sobre as prévias “amplas, gerais e irrestritas”, abertas a todos os filiados ao partido que nele militem há, pelo menos, um ano.

A carta foi motivada por declarações do ex-presidente interino, Alberto Goldman, dizendo ser impossível a realização ouvindo todos os militantes, por falta de cadastro.

“Confio em que sua palavra é, foi e será definitiva. Espero que o ilustre companheiro declare, alto e bom som, que as prévias acontecerão e que oportunidades iguais serão dadas aos dois postulantes à indicação para a disputa presidencial. Falando em igualdade, repiso que, há meses, requisitei formalmente, à direção nacional, a lista com nome, e-mail, telefones e endereço de cada filiado ao PSDB. Como não obtive êxito, repito a você a justa reivindicação. Tão justa, que poderia, até mesmo, seguir em tom de cabível exigência”, diz o texto.

Segundo Arthur, no acerto de sexta-feira, Alckmin teria concordado que a pré-campanha seria custeada com recursos do fundo partidário, divididos em partes “milimetricamente” iguais entre as atividades dos dois pré-candidatos. Seriam realizados pelo menos dez debates, nas mais estratégicas cidades brasileiras.

“Debates respeitosos, porém duros, que exporão o PSDB, com seus feitos e suas mazelas, com suas ações e omissões, ao escrutínio da militância e, sobretudo, ao olho no olho com a nação brasileira”, escreveu o prefeito

Virgílio aproveitou a carta para reclamar do tratamento diferenciado recebido por ele, em detrimento de Alckmin, na convenção de sábado. “Sobre a convenção, nela registrei alguns fatos insólitos: durante penosos minutos, fiquei sem saber se teria lugar à mesa ou não; visivelmente reduziram a potência do som, quando discursei; para o instagram da Rede 45, eu simplesmente “não fui” à convenção. Que feio! Quando se começou a entoar o hino nacional, um certo cidadão, que dizem ligado a você, genro não sei bem de quem, intrometeu-se, bruscamente, entre o presidente Fernando Henrique e eu, espero que mandado por ninguém, certamente com intuito de evitar alguma primeira página retratando aquele momento entre o notável sociólogo e seu antigo ministro e duas vezes líder do seu governo. Miudezas, Geraldo, que – tenho certeza! – não fazem parte da perspectiva generosa que, obrigatoriamente, deve fazer parte do caráter de um candidato a dirigir o Brasil”, afirmou.

A reunião da Executiva do partido, marcada para quarta-feira, deve discutir as prévias.

Veja outros trechos da carta:

“Fiquei feliz com as “vaias” de uma das charangas, porque elas logo silenciaram – e viraram aplausos – diante das razões de quem não é dúbio e não teme jogar na casa do adversário. Não confundamos, aliás, o conceito do PSDB, junto aos brasileiros, com a convenção tão recentemente realizada. O Brasil estava bem distante das centenas de pessoas que foram ao nosso evento, levadas, em sua maioria, por lideranças partidárias. Eu mesmo levei minha “claque”: minha esposa, um deputado estadual, um vereador, um dirigente, e mais duas ou três pessoas. Uma multidão!

Não permita, por fim, que se agigante um sentimento de rancor contra o seu estado, meu prezado Geraldo. O deputado Caio Nárcio tentou subir ao palanque, para abraçaralguém, e foi barrado por uma senhora de postura marcial: “o senhor não pode subir”. Ao que o deputado respondeu: “Sei que não posso. “Não sou paulista”.

Você sabe como discordei, apesar de toda a estima pessoal, de termos um presidente do PSDB que, ao mesmo tempo, fosse postulante à presidência da República. O gesto truculento contra o Tasso, soa então como pessoal. E o desmentido dessa jurisprudência, pois, soa como casuística também. Somente me resta, agora, opinar que a única postura que lhe cabe, neste momento, é acabar com esse disse-me-disse sobre as prévias. Declare, com a firmeza que o caracteriza, que elas acontecerão…e serão amplas, irrestritas, livres e lisas.

Declare que o PSDB terá de fechar questão a favor da reforma da previdência, em nome do Brasil e não das próximas eleições. Declare que conduzirá nosso partido pelo caminho aberto do reencontro com os brasileiros e não pelos atalhos que levam a decisões de cúpula, ao menoscabo aos nossos militantes.

Enfim, companheiro, enfrente-me em campo aberto. Ou perderemos mais uma eleição e nos tornaremos cada vez mais irrelevantes na cena política brasileira.

Saudações tucanas.

Arthur Virgílio Neto”

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