Arthur Neto é contra criação de nova área de incentivo fiscal em outro Estado

O prefeito de Manaus comentou sobre as recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro em criar uma Zona Franca no Pará

Manaus – Na tarde desta sexta-feira (6), o prefeito de Manaus, Arthur Vírgilio Neto, comentou sobre as recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro, em criar uma Zona Franca no Pará, e reforçou ser um defensor do modelo que garante a preservação de boa parte da floresta amazônica.

“Se o presidente diz que vai criar uma zona franca em algum lugar, passa a ser motivo de preocupação. Por conta da proximidade dessa região (arquipélago do Marajó) com o mar, que é chave para baixar custos, enfrentar concorrência conosco e levar vantagem”, disse.

Arthur Neto destacou que o Pará precisa ser apoiado pelo governo federal, mas não pelo modelo de incentivo industrial que o Amazonas possui (Foto: Mário Oliveira/Semcom/Divulgação)

O prefeito se posicionou contrário a possível criação de uma nova área de incentivo fiscal em outro Estado brasileiro, afirmando que a Zona Franca de Manaus (ZFM) se integrou ao patrimônio econômico do Amazonas. Com 53 anos de historia, é um modelo de desenvolvimento econômico com o objetivo promover a integração produtiva e social da região ao restante do País, garantindo a soberania nacional sobre suas fronteiras.

“Só cabe uma zona franca no Brasil e, por sorte nossa, é de Manaus. Não cabe fazer uma aqui e outra em outro lugar. Entendo que a primeira atitude que um político ou pessoa pública sensata deve tomar é de acautelar e procurar explicar ao presidente e sua equipe econômica, de maneira madura, a inviabilidade de um projeto assim e até perguntar com o que ele quis dizer com isso, se seria conceder alguns incentivos fiscais ao Estado do Pará”, declarou o prefeito.

Ainda durante coletiva de imprensa, Arthur Neto destacou que o Estado do Pará precisa ser apoiado pelo governo federal, mas não pelo modelo de incentivo industrial que o Amazonas possui. O prefeito informou que vai enviar uma carta ao presidente Jair Bolsonaro para alertá-lo sobre todas as implicações.

“O fato é que, se nós lutamos tanto para manter uma ZFM, como a gente imagina que vai criar mais zonas francas? Isso colide com a lógica e, se colide com a lógica, não deve ser tocado adiante”, explicou.

No Amazonas, o modelo leva à região de abrangência (Amazônia Ocidental: Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima e as cidades de Macapá e Santana, no Amapá), desenvolvimento econômico aliado à proteção ambiental e possui três polos econômicos: comercial, industrial e agropecuário.

O comercial teve crescimento até o final da década de 1980, quando o Brasil adotava o regime de economia fechada. O agropecuário abriga projetos voltados à produção de alimentos, agroindústria, piscicultura, turismo, beneficiamento de madeira, entre outras.

O industrial é considerado a base de sustentação da ZFM, possuindo aproximadamente 600 indústrias de alta tecnologia e gerando mas de meio milhão de empregos diretos e indiretos, principalmente nos segmentos de eletroeletrônicos, duas rodas e químico. Entre os produtos fabricados, ganham destaque os aparelhos celulares e de áudio e vídeo, televisores, motocicletas e concentrados para refrigerantes.

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