Arthur: PSDB precisa explicar corrupção

O PSDB é visto hoje como o segundo partido mais corrupto do País, apenas atrás do PT. Isso passa um atestado de inocência plena ao MDB e ao PP”, sugere o prefeito de Manaus em entrevista

Manaus – O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, desistiu de sua pré-candidatura à Presidência da República pelo PSDB. Alegando que a prévia do partido, na qual enfrentaria Geraldo Alckmin, seria uma “fraude”, Virgílio saiu atirando e chamou o governador de São Paulo de “cínico” e “provinciano”. Em entrevista publicada nesta segunda-feira no site da revista Carta Capital, ele reafirma as críticas e as estende ao PSDB, sigla da qual é um dos fundadores. Segundo Virgílio, “o partido precisa se explicar para a sociedade” em meio aos casos de corrupção que protagoniza.

A mea culpa é necessária, segundo ele, depois que nomes importantes da legenda sofreram graves acusações – caso dos senadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), investigados na Lava Jato. “O PSDB é visto hoje como o segundo partido mais corrupto do País, apenas atrás do PT. Isso passa um atestado de inocência plena ao MDB e ao PP”, sugere.

‘O PSDB é visto hoje como o segundo partido mais corrupto do País, apenas atrás do PT.’, diz o prefeito

Ex-líder tucano no Senado e ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência no governo Fernando Henrique Cardoso, Arthur Virgílio avalia que o PSDB corre o risco de se tornar “irrelevante” se perder a quinta eleição presidencial consecutiva neste ano. “Meu temor é que o partido, de concessão em concessão, termine se tornando irrelevante. Se isso acontecer, vai acabar virando um partido auxiliar, como esses que gravitam em torno de outros em troca de ministério aqui e diretoria não sei de quê acolá”, diz.

Ao desistir da candidatura, Virgílio afirmou que Alckmin tem “muita vontade de chegar ao poder, mas nenhum amor ao País”. Agora, acrescenta que o governador de São Paulo é um candidato que busca as sobras dos votos de outros políticos.

Se inicialmente o tom de Arthur Virgílio é de mágoa com o PSDB, a fala dele vai aos poucos ficando áspera quando Alckmin entra em cena. “A impressão que tenho dele é que é uma pessoa falsa”, afirma.

O embate com o paulista evoluiu de uma disputa nos bastidores pelas prévias do PSDB para uma troca pública de ofensas, com Virgílio Neto chamando Alckmin de “autoritário” e se dizendo “enojado” pelas manobras nas prévias do PSDB.

Questionado se o tom não estava fora do esperado de um candidato à Presidência, o prefeito tergiversa. “Se ele tivesse cumprido a palavra, os dez debates teriam sido muito respeitosos. Geraldo morria de medo de debater comigo, não queria o debate. Falei o que sentia dele, que se portou com falsidade, foi dissimulado.”

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