Assassinato de Marielle foi sofisticado, afirma juiz

Pesquisas de Ronnie Lessa, na internet, também incluíam Marcelo Freixo, Lula, Dilma e a cantora Iza

Brasília – O juiz Gustavo Gomes Kalil, da 4ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, aceitou denúncia do Ministério Público e colocou no banco dos réus os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz, suspeitos de assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL). Em decisão, o magistrado considera o modus operandi da dupla como “sofisticado” e pensado para “garantir a impunidade” no crime.

Em relatório, Kalil descreve que as investigações sobre Lessa começaram após a Divisão de Homicídios da Polícia Civil receber uma denúncia anônima informando que o policial reformado era o autor dos disparos contra Marielle. O crime teria sido encomendado por R$ 200 mil.

A polícia apura se o crime foi encomendado por R$ 200 mil (Foto: Tânia Rêgo/ABr)

O magistrado também relata informações apresentadas pelo Ministério Público, nos quais constam pesquisas feitas por Lessa envolvendo políticos e partidos de esquerda. Os termos incluem ‘Morte ao PSOL’, ‘Marcelo Freixo’, ‘Morte de Marcelo Freixo’, ‘Lula Enforcado’ e ‘Dilma Rousseff Morta’. Há também pesquisas por ‘ditadura militar’ e ‘Estado Islâmico’.

Em fevereiro de 2018, Lessa teria pesquisado sobre parlamentares que votaram contra a intervenção militar decretada pelo então presidente Michel Temer no Rio de Janeiro. À época, Marielle Franco era relatora da comissão instalada na Câmara de Vereadores para acompanhar a ação das Forças Armadas.

A partir disso, Lessa teria pesquisado sobre a vereadora e também mulheres negras “com o similar engajamento político”, incluindo ‘Kenia Maria’ e ‘Iza Cantora’.

“De acordo com as autoridades de investigação, as pesquisas realizadas pelo acusado revelariam, pois, que ele, em tese, monitorava de perto a vítima Marielle”, afirma Kalil. Poucos meses antes do crime, Ronnie também teria realizado pesquisas ‘online’ acerca de acessórios para submetralhadora HK MP.

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