Comissão visa apurar caos na saúde do Amazonas

Em trecho do documento que pede instalação de CPI consta declaração de que a gestão da Saúde no Amazonas “nunca projetou falta de oxigênio” nas unidades de Saúde do Amazonas

Manaus – O pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Assembleia Legislativa do Estado (ALE) quer investigar suspeitas de improbidade administrativa, malversação de recursos públicos e de superfaturamento em atos de governo do estado, incluindo a contratação do aluguel do Hospital da Nilton Lins.

De acordo com documento protocolado ontem na ALE, outras suspeitas apontadas são omissão e negligência administrativa quanto a abertura de novos leitos já insuficientes antes da pandemia, falta de transparência aos órgãos controle e a sociedade sobre as medidas de enfrentamento e gastos com a pandemia, gastos com publicidade em detrimento dos gastos com saúde, além de contratos que ultrapassam R$500 milhões para o sistema prisional enquanto “falta assistência básica social, econômica e na saúde do interior do Estado”.

Suspeita apontada pelo requerimento na ALE cita falta de transparência sobre as medidas de enfrentamento da pandemia (Foto: Divulgação/Ministério da Saúde)

O GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) teve acesso ao requerimento que ainda cita como objeto da Comissão a falta de oxigênio em Unidades de Saúde do Amazonas. “Sem sombra de dúvidas a crise de oxigênio no Estado foi um dos fatos mais tristes da história desse país e o fato mais triste do Amazonas”, cita o documento.

O texto continua: “Pacientes morreram asfixiados sendo impossibilitados de lutar contra o coronavírus, pois, o Estado não proveu a arma mais importante para o combate, a suplementação de oxigênio. Com o apocalipse instalado no Estado do Amazonas, tal fato só foi amenizado por uma corrente solidária nunca vista antes nesse Estado, enquanto o governo não conseguia comprar, produzir ou emprestar oxigênio”.

Em outro trecho do requerimento, é citada declaração dada pelo secretário de Estado de Saúde Marcellus Campelo que, em reunião com o comitê de saúde e previdência da ALE, afirmou que “nunca houve essa projeção de falta de oxigênio”.

“Tais atos do governo, necessitam de investigação, por carecer de transparência, de muitas informações e elucidações. Vidas não podem sob nenhum argumento serem perdidas e a morte não natural ficar por isso mesmo. É preciso saber, entender porque o governo não se planejou já que claramente tinha recursos”, consta no texto.
O requerimento foi protocolado pelo deputado estadual Dermilson Chagas e já tem o apoio do deputado Wilker Barreto, ambos do partido Podemos.

Para ser instaurada na ALE a ‘CPI da Pandemia’ precisa de no mínimo oito assinaturas.

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