Comissão vota por ‘pizza’ no impeachment

Com apoio maciço dos deputados da base aliada do governador, a Comissão Especial do Impeachment aprovou, ontem, parecer que sugere arquivamento da denúncia contra Wilson Lima

Manaus – Os membros da Comissão Especial de Impeachment que compõem a base aliada do governo do Estado garantiram, nesta sexta-feira (31), a aprovação do relatório que pede o arquivamento das duas denúncias de improbidade administrativa contra o governador Wilson Lima e seu vice, Carlos Almeida.

O parecer foi lido em reunião da comissão pelo relator, deputado Dr. Gomes (PSC), e aprovado com voto de dez deputados do total de 17 membros. Era necessário apenas nove votos para aprovação do parecer. Os próximos passos serão a publicação do parecer no Diário Oficial e, após 48 horas, a marcação de uma sessão plenária com todos os deputados.

Na próxima terça-feira (4), em sessão plenária com a participação dos 24 deputados, após a eleição dos representantes dos blocos partidários, os cinco deputados eleitos terão até 1 hora para questionar o relator.

Após os questionamentos e respostas, o parecer será colocado para votação dos parlamentares. Se a maioria simples, de 13 deputados, votar juntamente com o relator, o processo de impeachment será arquivado.
Se a maioria simples votar contra o parecer, o relator deverá elaborar outro texto, pontuando os questionamentos feitos pelos deputados.

Na próxima semana, a Assembleia Legislativa votará o relatório no plenário (Foto: Alberto César Araújo/ALE)

Votaram a favor do arquivamento do impeachment os deputados estaduais: Adjuto Afonso (PDT), Alessandra Campêlo (MDB), Belarmino Lins (PP), Cabo Maciel (PL), Carlinhos Bessa (PV), Dr. Gomes (PSC), Joana Darc (PL), Roberto Cidade (PV), Saullo Vianna (PTB) e Therezinha Ruiz (PSDB).

Apenas o deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) votou contra o parecer e a favor do impeachment do governador e vice.

Quatro deputados se abstiveram na votação: Delegado Péricles (PSL), Fausto Júnior (PRTB), Felipe Souza (Patriotas) e João Luiz (Republicanos).

Foram considerados ausentes dos deputados Dermilson Chagas (Podemos) que justificou a realização de procedimento médico e Sinésio Campos (PT) que não votou por problemas de conexão.

Em seu discurso, ainda na sexta, o deputado Wilker Barreto afirmou que a decisão do relator, Dr. Gomes (PSC), é uma clara defesa a favor do Governo e afirmou que o relatório foi insensível com a vontade do povo, diante da conduta dos gestores em um ano e meio de mandato. “O relator fez um discurso de defesa do governo, porque não considerar os fatos narrados na denúncia é não traduzir o sentimento do que o Amazonas passou na pandemia. E o que mais agrava é que o relator é médico, ou seja, uma total insensibilidade com o que aconteceu no Estado”, disse o deputado.