Confira artigo do ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto: SOS MUSA

Diplomata faz apelo para salvar o Museu da Amazônia

Arthur Virgílio Neto – Diplomata, foi deputado federal, senador, líder por duas vezes do governo Fernando Henrique Cardoso, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, líder das oposições no Senado ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e três vezes prefeito da capital da Amazônia – Manaus: 

Tive a honra, ainda como prefeito de Manaus, de socorrer o Bosque da Ciência, patrimônio da cultura amazônica, que estava para fechar as portas para o atendimento público. Fui ao INPA, reuni com a diretora e diversos cientistas para ajudar esse órgão tão valioso para o Amazonas. O Brasil, em sucessivos governos, demonstra desconhecer a sua região mais estratégica. O Ministério de Ciência e Tecnologia deveria lançar olhar nobre sobre um projeto amado por nossa gente e admirado por pesquisadores, turistas e estudiosos em geral.

Arthur Virgílio Neto faz apelo para salvar o Museu da Amazônia (Foto: Divulgação)

O MCT precisa aprender a arcar com a responsabilidade de manter o Bosque da Ciência. E de apoiar o INPA como um todo, pois agora é o notável Museu da Amazônia, que pertence ao INPA e está situado na reserva Ducke, a viver momento crítico. A pandemia afastou os visitantes, que pagavam os bilhetes para a visitação. A saída, então, é encontrarmos fontes de financiamento para que o Museu não morra, levando com ele grande parte da cultura acumulada sobre Amazônia e matando um pouco do futuro do Brasil.

Fico triste de brasileiros ignorarem que uma possível prosperidade para todos eles, para todos nós, terá de vir da manutenção da floresta em pé e da exploração obviamente sustentável dos recursos oferecidos pelo nosso banco genético, o mais rico do planeta. O desmatamento ilegal agride a floresta e destrói a biodiversidade. Rouba parte do nosso futuro. Agrava o problema mundial do aquecimento. Se não for contido, minguará nossos rios. A grande floresta e seus majestosos rios são uma coisa só. Irmãos siameses, uns dependendo da outra para viver e dar vida e horizonte à Amazônia e ao Brasil.

É tempo de salvar o MUSA. Seu fechamento por três meses privou o Museu de sua principal fonte de receita, a visitação pública. Ficou de pé, graças à paixão de servidores comprometidos com a ciência e com a Amazônia. O diretor do Museu, o respeitável cientista Ennio Candotti, lançou a campanha AMICUS FLORA, convidando pessoas que amam a floresta a adotar uma árvore. A campanha tem sido bastante prestigiada, felizmente.

Outras iniciativas estão postas: criar fundo de reserva para garantir saúde financeira ao MUSA; criar casas, pavilhões e espaços para orquídeas, borboletas, fungos, aracnídeos, serpentes, peixes, samambaias, o lago das vitórias-régias e o jardim sensorial. Um painel na entrada do Jardim Botânico registrará os nomes dos amigos e amigas da floresta que colaborarem financeiramente com o nobre projeto. Doação de empresas garantem logomarcas devidamente registradas e a valiosa reputação de se preocupar com políticas ambientais corretas. Isso vale muito hoje; valerá muito mais amanhã. Afinal, não existe economia que se sustente, se não contemplar o cuidado ambiental. Doações de diversos valores serão recompensadas também com ingressos para visitas àquele mundo de beleza e valiosas iniciativas. Vou ajudar. Com pouco, mas vou!

O MUSA nasceu em 2009, ocupando 100 hectares da Reserva Florestal Adolpho Ducke. É lindo: viveiros de orquídeas e bromélias, lago, aquários, laboratórios experimentais de serpentes, insetos e borboletas. Trilhas, exposições e uma torre de 42 metros, que já “escalei”, apresentando imagem extraordinária da floresta.

Ajudemos o Museu. Devemos isso à floresta, ao Amazonas, à luta contra o aquecimento global, aos nossos índios e aos nossos cientistas. Bom domingo!