CPI da Covid é instalada e senador Omar Aziz é eleito presidente

A CPI da Covid é instalada em um momento crítico da doença no País, com quase 400 mil mortes já tendo sido causadas pela doença

Brasília – Na manhã desta terça-feira (27), o Senado Federal instaurou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que irá apurar ações do Governo Federal ao longo da pandemia, além de possíveis desvios de verbas federais repassadas ao estado no combate a Covid-19.

Durante a sessão, onde estavam os Senadores do País, o Senador Omar Aziz (PSD – AM) foi eleito presidente da CPI, com Randolfe Rodrigues (Rede – AP) sendo votado para vice-presidente. O Senador Renan Calheiros (MDB – AL) foi eleito relator da CPI.

O senador Omar Aziz fez menção aos colegas senadores presentes na votação. “Eu quero agradecer a confiança dos senadores, que a gente possa fazer um trabalho transparente e técnico. Que daqui 60 dias a gente possa sair daqui 60 dias com questões que possam ajudar o brasil na questão da pandemia”, declarou ele.

Senador Omar Aziz (Foto: Ariel Costa/ Divulgação/Flickr)

Além disso, o senador Omar Aziz também garantiu a falta de interesses externos na CPI. “Eu não posso fazer política em cima de 400 mil mortos”, afirmou ele.

A sessão ocorreu de forma semipresencial, com os senadores podendo ter discursado de forma remota, mas foi necessária a ida ao prédio do Congresso para votação.

A CPI da Covid é instalada em um momento crítico da doença no País, com quase 400 mil mortes já tendo sido causadas pela doença, com os primeiros quatro meses de 2021 já tendo superados todas as mortes por coronavírus de 2020.

Um dos instrumentos de investigação inicialmente será o processo de aquisição de vacinas, com a negociação com a farmacêutica Pfizer estando na mira da CPI, após declarações da empresa afirmando que teriam oferecido 70 milhões de doses de imunizantes, que teriam sido recusados pelo governo federal.

Em uma entrevista conferida a revista “Veja”, o ex -secretário de Comunicação Social, Fabio Wajngarten, responsabilizou o governo federal pela falta de imunizantes, que na época tinha o ex-ministro Eduardo Pazuello a frente das negociações.

“As negociações avançaram muito. Os diretores da Pfizer foram impecáveis. Se comprometeram a antecipar entregas, aumentar os volumes e toparam até mesmo reduzir o preço da unidade, que ficaria abaixo dos US$ 10. Só para se ter uma ideia, Israel pagou US$ 30 para receber as vacinas primeiro. Nada é mais caro do que uma vida. Infelizmente, as coisas travavam no Ministério da Saúde”, afirmou Wajngarten.

É esperado que Eduardo Pazuello, Luiz Mandetta e Nelson Teich, que comandaram a pasta da saúde durante a pandemia, sejam convocados para prestar esclarecimentos acerca de seus atos a frente da pasta.  A compra de remédios sem eficácia comprovada, como a cloroquina, também deve ser alvo de investigação dos membros da CPI.

O senador Eduardo Braga, eleito pelo Amazonas, fez uma reflexão durante seu discurso na instalação da CPI. “Eu quero manifestar a minha profunda tristeza de estar aqui hoje, participando da instalação da CPI que trata de um tema muito doloroso a milhares de brasileiros”, afirmou ele.

Ele ainda comentou acerca de decisões anteriores, que poderiam ter reduzido o número de óbitos no País. “Não se trata apenas de questões jurídicas, se trata de questão do valor a vida de brasileiros que nos deixaram, seja porque não nos planejamos, ou por não tomarmos uma posição afirmativa em torno dos protocolos de prevenção que deveríamos ter adotado, ou porque não conseguimos suprir os medicamentos, equipamentos, treinamento de pessoal e de outras questões importantes, como a vacinação”, declarou o senador.

Ele ainda fez duras críticas ao governador Wilson Lima, que comanda o estado atualmente.

“O meu estado do Amazonas, viu no dia de ontem que o Procurador Geral da República denunciar o governador e mais 15 autoridades por desvios, formação de quadrilha, além de uma série de questões levantadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal”, finalizou Braga.

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