CPI da Saúde: vídeo mostra pedido para que ex-secretária assine documentos retroativos

Nesta sexta-feira (26), a Comissão ouviu o depoimento do ex-secretário executivo da Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam), João Paulo Marques dos Santos

Manaus – Durante a sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde nesta sexta-feira (26), foi ouvido o ex-secretário executivo da Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam), João Paulo Marques dos Santos. O depoente é considerado peça importante na investigação que apura fraudes no processo de aquisição de 28 respiradores pulmonares, por quase R$ 3 milhões, pelo governo do Amazonas em uma loja de vinhos durante a pandemia do novo coronavírus.

João Paulo Marques dos Santos foi confrontado pelos deputados que compõem a Comissão sobre a falsificação da assinatura da ex-secretária Dayana Mejia (Foto: Divulgação)

Durante seu depoimento, João Paulo Marques dos Santos foi perguntado se pediu a ex-secretária executiva da Susam, Dayana Mejia, que assinasse algum documento retroativo. Ele negou. Ao ser confrontado pelos deputados que compõem a Comissão sobre a falsificação da assinatura da ex-secretária, ele disse que viu a irregularidade e pediu para que Dayana assinasse.

“Ela saiu porque estava em período de Covid. Posso ter ligado, mas não tenho certeza. Eu não me lembro de ter ligado para ela para pedir que ela assinasse um contrato. Pode ter enviado, mas ela não assinou, não é algo específico que eu consiga lembrar”, disse João Paulo.

Durante a CPI, o deputado estadual Delegado Péricles exibiu um vídeo em que o advogado João Paulo mostra o contrato de alocação do Hospital Nilton Lins, sem assinaturas, pedindo que Dayana Mejia assinasse. “Não tá assinado, por isso que estamos precisando de sua assinatura. Foram feitos alguns ajustes, algumas alterações de serviços que eles não tinham. Olha o despacho que está pendente. O Caio [Henrique Faustino da Silva, gerente de projetos] já assinou, falta você. O projeto base da Nilton Lins também tá pendente”, diz o áudio do vídeo.

João Paulo respondeu que não se lembrava de nada. “Eu não lembro quais eram os equívocos. Acho que o próprio doutor Caio que levantou esses erros. Mas não lembro, só lembro que tinham erros. A minha assinatura já estava no projeto básico”.

O deputado Wilker Barreto disse que os erros não podem ser corrigidos de maneira verbal e que o processo foi montado de trás pra frente.