Dados da CPI vão para órgãos de controle

Documentos, provas, dados sigilosos e depoimentos da CPI da Saúde têm sido encaminhados para o Ministério Público Federal e Estadual, além da Polícia Federal, confirma o presidente do comissão, Delegado Péricles

Manaus – Depoimentos, provas, indícios, informações sigilosas. Tudo o que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde apurou tem sido encaminhado para órgãos de controle e polícias, para que possam tomar as providências cabíveis no sentido de punir os culpados pela corrupção detectada nos bastidores da gestão da saúde pública do Amazonas.

As fraudes detectadas foram determinantes para que a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) suspenda pagamentos superfaturados (Foto: Divulgação/ALE)

A certeza foi dada, nesta quinta-feira (10), pelo presidente da Comissão, deputado estadual Delegado Péricles (PSL). Para ele, a CPI já tem mudado os rumos da administração do Estado e, ainda, pautado e sido grande parceira de outros poderes. Até o momento, documentos já foram direcionados para os Ministério Público Estadual e para o Federal e para a Polícia Federal.

“É inquestionável, não só a quantidade, mas também a veracidade dos fatos apurados pela CPI da Saúde até o momento. Podem até ter tentado deturpar nossa missão, mas ninguém se apresentou para dizer que mentimos. A corrupção existe, está enraizada, tem ultrapassado gestões e trazido graves consequências à população. O período de pico do coronavírus deixou isso muito mais evidente. A CPI então tem feito seu papel: encaminhado aos órgãos que possuem autonomia para punir os culpados, provas que os auxiliarão nas investigações. O papel de fiscalizadora tem sido executado diariamente pela Comissão. Isso eu asseguro”, afirmou Delegado Péricles, que também foi o autor da propositura que pediu a instauração da CPI na Assembleia Legislativa do Estado (ALE).

Fraudes

De acordo com o parlamentar, as fraudes detectadas e a revelação do mecanismo facilitador de corrupção – utilizado para gerir o dinheiro público há décadas – têm sido determinantes para que a própria Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) suspenda pagamentos superfaturados e revise completamente sua atuação.

“Depois que a CPI da Saúde começou a revelar escândalos sequer investigados anteriormente, o Governo se viu obrigado a tomar medidas no sentido de pausar toda essa corrupção. Somente essa semana, decretou o fim de processos indenizatórios e anunciou nova repaginada na secretaria. Agora, só posso assegurar que apenas o anúncio não será suficiente”, frisou.

A CPI tem reunião agendada para a próxima segunda-feira (14), ás 10h, com o depoimento da coordenadora estadual da regulação no estado, Keila Batista. A servidora foi convocada para esclarecer questões referentes ao Contrato de Gestão 01/2019, firmado pelo Governo do Estado com o Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), Organização Social de Saúde (OSS) contratada para gerir o Hospital Pronto Socorro Delphina Aziz. “Precisamos que ela nos diga como de fato atuou a regulação do nosso sistema de saúde, principalmente o período de pandemia, quando milhares de pessoas recorreram ao hospital em buscas de leitos e atendimento”, disse.

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