Delphina Aziz tinha 50% de leitos vazios no pico da pandemia da Covid-19

CPI da Saúde constata que no pico da pandemia, o hospital de referência da Covid, Delphina Aziz, estava com metade dos leitos ociosos, confirmou o diretor executivo da O.S. José Luiz Gasparini, em depoimento

Manaus – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde teve acesso à informação que, se confirmada durante investigações, mostra que a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), mesmo com 100% de disponibilidade dos leitos no Hospital Delphina Aziz, disponibilizou apenas 50,73% para atendimento da população durante o pico do coronavírus no Amazonas. O dado foi assegurado pelo diretor executivo da Organização Social de Saúde (OSS), José Luiz Gasparini, durante depoimento à CPI na manhã desta sexta-feira (28).

CPI teve acesso à informação, que se comprovada, mostra que a Susam, mesmo com 100% de disponibilidade dos leitos no Hospital Delphina Aziz, disponibilizou apenas 50,73% para atendimento da população (Foto: Divulgação)

“O senhor Luiz Gasparini fez grave afirmação que, sem dúvida, será investigada por essa CPI. É absurdo aceitarmos que, diante de todos o caos vivenciado por nossa população no mês de abril, e do desordenamento direcionamento de pacientes para todas as unidades de saúde existentes, leitos estavam prontos, mas não foram utilizados por decisão de gestão. Vamos investigar esse fato, não deixando de lado, o fato de que a OS gerida pelo senhor Luiz também tem recebido valores cheios por serviços não executados em sua integralidade”, afirmou o presidente da CPI da Saúde, deputado estadual Delegado Péricles.

De acordo com Delegado Péricles, o diretor da organização seguiu discurso adotado pela contadora Thayane de Souza, de que o pagamento integral por diversos meses, mesmo sem a devida prestação de serviços, é o trâmite normal e correto na prestação de serviços de uma OS.

“Mais uma vez a OS tenta nos convencer de que o valor recebido por ela, cerca de R$17milhões, foi repassado ´cheio´ porque ela disponibiliza neste total esses serviços. Alegou, ainda, ter feito o pagamento 100% para clínicas médicas prestadoras de serviços, mesmo que elas não tenham cumprido 100% dos plantões necessários. É estranho aceitar que as empresas médicas receberam também sem prestar serviços. Repito: não tem como na administração ter esse valor exato e essa igualdade de custos sem nenhuma mudança de acordo com agravamento ou suavização da situação enfrentada”, continuou.

Ainda durante reunião, membros da CPI levantaram a possibilidade de trazer o responsável pelo chamamento da OS, realizado ainda em 2018. “Se ficar claro que o secretário de saúde da época foi o responsável pela escolha da Organização e na elaboração direta na formulação deste edital, o chamaremos para prestar os devidos esclarecimentos à essa CPI”, concluiu.

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