Depoimento do vice complica governador

As revelações de Carlos Almeida confirmam o depoimento do ex-secretário de Estado de Saúde Rodrigo Tobias e voltam a colocar Wilson Lima no centro das compras suspeitas de equipamentos médicos

Manaus – Em depoimento à Polícia Federal (PF), o vice-governador do Amazonas Carlos Alberto Almeida Filho complicou o governador Wilson Lima ao relevar que o chefe do Executivo indicou o empresário Gutemberg Leão Alencar para intermediar a compra de respiradores mecânicos superfaturados para atender pacientes de Covid-19.

O GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) teve acesso ao termo de declaração de Carlos Almeida, tomado em 8 de outubro pelo delegado federal Victor de Araújo Alencar Mota, da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros. As revelações de Carlos Almeida confirmam o depoimento do ex-secretário de Estado de Saúde Rodrigo Tobias e voltam a colocar Wilson Lima no centro das compras suspeitas de equipamentos médicos.

No depoimento, o vice-governador cita que Gutemberg Alencar foi apresentado a ele como um dos coordenadores da campanha, mas não tinha muito contato com o empresário. “Em março, o governador o colocou em contato com Gutemberg, mas Carlos Almeida manifestou ao governador suas resistências e desagrado em tratar com ele”, consta no depoimento.

A declaração confirma depoimento do ex-secretário de Estado de Saúde Rodrigo Tobias sobre compras suspeitas para combater Covid-19 (Foto: Sandro Pereira/Arquivo-GDC)

Confira transcrição do trecho do termo de declaração feito pelo vice-governador: “Alencar tinha má fama no Amazonas há muitos anos de ser truculento, arrogante e, por isso, queria distância dessa pessoa; que mal manteve contato com essa pessoa; que Wilson queria que Alencar fosse coordenador de campanha no PSC; que quando do início da pandemia, Wilson Lima o contatou afirmando que Alencar queria ajudar o governo no combate à doença; Que naquele momento o Estado do Amazonas não havia leitos, não havia medicamentos, não estava preparado para enfrentar o Covid-19 e surgiram diversas pessoas procurando os governantes oferecendo ajuda; Que dentro dessas pessoas era necessário fazer um filtro”, consta no depoimento dado à PF.

Ainda em depoimento, o vice-governador afirma, durante sua gestão, passou a se preocupar mais com a macrogestão do que microgestão e, por isto, não tomava decisões em relação a pontos tão específicos, como por exemplo, aquisição dos respiradores pulmonares.

Carlos Almeida diz não ter participado de reunião com funcionários da Secretária de Estado de Saúde (Susam) para tratar sobre aquisição dos respiradores pulmonares da empresa Sonoar ou da Vineria Adega. Segundo o vice-governador, ele somente tratou desse assunto com o governador quando já haviam sido noticiário suposto superfaturamentos e que fez contato com Wilson Lima para entender o que estava acontecendo.

O vice-governador acrescentou que “antes e depois nesses fatos, teve conversa séria com o governador e tomou decisão de se afastar da Casa Civil em 4 de maio; que, desde março, já havia percebido uma incompatibilidade da gestão administrativo com governador; que não havia uma pessoa responsável por manter o declarante atualizado acerca das compras do respiradores pulmonares”, frisou.

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