Deputado cobra abertura de CPI e impeachment de Wilson Lima

O parlamentar relembrou aos deputados os diversos motivos que já expôs em várias ocasiões na Tribuna para fazer esse pedido

Manaus – O deputado Dermilson Chagas (Podemos) cobrou, na manhã desta terça-feira (13), que a Assembleia Legislativa do Estado (ALE) instaure uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os gastos da gestão Wilson Lima e que dê prosseguimento aos pedidos de impeachment que se encontram protocolados na Casa.

Dermilson Chagas argumentou que só o fato do Supremo Tribunal Federal (STF) determinar ao Senado a instauração de uma CPI para investigar a irresponsabilidade do governo federal na gestão da crise sanitária, e que o Governo do Amazonas é um dos alvos dessa investigação, já é motivo mais que suficiente para a ALE dê início ao processo no Amazonas também.

Dermilson Chagas disse que a ALE é um instrumento que a sociedade conta para ter seus pleitos atendidos e que os deputados são eleitos para defender os direitos dos cidadãos e que, por esse motivo, a Casa não pode ser omissa com relação às investigações dos gastos do governo e também não pode deixar de perceber que até o Senado possui um processo de investigação que inclui o Governo do Amazonas.

“Assim, eu vejo o comportamento da Assembleia. Uma ferramenta disponível à sociedade, que enquanto ela precisa, a sociedade quer que esteja perto. Ela quer a voz ativa, representativa, quer o seu representante falando os seus desejos. Mas, quando isso já não tem mais interesse pra sociedade, ela afasta e repudia e passa a ter ojeriza com relação à classe política. E, muitas das vezes, por um, todos pagam. É desta forma que eu vejo o Parlamento como um todo. Não é A, B ou C. A minha opinião é essa. A sociedade pensa que aqui vai encontrar ressonância. Não vai”, afirmou o parlamentar.

Dermilson disse que a ALE não pode ser omissa com relação às investigações dos gastos do governo (Foto: Danilo Mello / ALE)

Má gestão do Governo do Amazonas

O parlamentar relembrou aos deputados os diversos motivos que já expôs em várias ocasiões na Tribuna do Plenário Ruy Araújo da ALE para fazer esse pedido, sobretudo a morte de 31 cidadãos por falta de oxigênio, a compra de respiradores em loja de vinho, o aluguel de jato exclusivo para o governador, a falta de transparência na utilização de recursos do FTI e dos recursos direcionados para ações de combate à Covid-19, os gastos excessivos do governo do Estado com publicidade, e a falta de aparelhamento da rede estadual de saúde na capital e no interior.

Para Dermilson Chagas, é injustificável que o Governo do Amazonas gaste R$ 9,3 milhões com aluguel da aeronave porque esse recurso poderia ser direcionado para as ações de combate à Covid-19. Por isso, o parlamentar assinou o pedido de medida cautelar para suspender o Pregão Eletrônico nº 1032/2020, de locação do jato, que o deputado Wilker Barreto (Podemos) ingressou no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM).

Mortes e sofrimento das famílias

Dermilson Chagas disse que a crise de oxigênio que Manaus viveu nos dias 14 e 15 de janeiro levou a cidade a um cenário de caos porque nesse período foram registrados elevados números de contágio e de óbitos. Ele destacou que todo esse sofrimento, e que foi acompanhado por todos os deputados da ALE, também foi registrado pela imprensa local, nacional e internacional, portanto, a Casa não pode permanecer inerte.

Na época da crise de oxigênio, a imprensa noticiou que, segundo documentos obtidos e divulgados pelo Ministério Público de Contas, 31 pessoas morreram por falta de oxigênio em Manaus em 14 e 15 de janeiro. Além do aumento no número de pessoas contaminadas e de mortes, a crise do oxigênio trouxe sofrimento para as famílias que tinham de comprar cilindros com o gás utilizando seus próprios recursos.

“Eu não estou falando para muitos – que são tão poucos aqui dentro. Mas eu estou falando para aqueles que estão lá fora, que eu represento e que me colocaram aqui. Estou falando para aquela mãe e aquele pai que perdeu seu filho ou para aquele filho que teve a vida de seu pai ceifada pela negligência de um governo que está aí. Houve negligência ou não? A falta de planejamento matou pessoas ou não? Houve superfaturamento? E o uso de aeronaves e o dinheiro da Covid pra propaganda? O povo quer respostas. Ninguém quer morrer por um governo que é irresponsável, negligente, omisso. Eu não conheço esse herói que esteja disposto a morrer por esse governo irresponsável”, reiterou Dermilson Chagas.

Falta de planejamento da gestão Wilson Lima

Dermilson Chagas reiterou que o Governo do Amazonas não possui planejamento nas suas ações e que a maior prova disso foi a não estruturação da rede estadual de saúde tanto na primeira quanto na segunda onda. Uma das provas dessa falta de organização e planejamento foram as mortes registradas em praticamente todas as unidades de saúde estaduais, especialmente no SPA e Policlínica Dr. José Lins, SPA e Policlínica Dr. Danilo Corrêa, SPA Alvorada e na Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

Outro problema que o deputado Dermilson Chagas apontou foi que houve falta de leitos desde o início da pandemia, tanto na capital quanto no interior. O problema de falta de leito foi divulgado pelos veículos da imprensa nacional, dentre eles o jornal Correio Braziliense. O Governo do Amazonas acabou reconhecendo a sua falta de planejamento e estrutura e informou que iria transferir 235 pacientes de Manaus para outros Estados.