Deputado denuncia irregularidades em contrato feito pela Seduc e cobra empresa de transporte escolar

A Dantas Transportes recebeu o aditivo de R$ 18 milhões para a efetivação de 1.487 monitores, mas faltando 12 dias para o término do contrato, ainda não apresentou as carteiras de trabalho destes profissionais

Manaus – Menos de 12 dias para encerrar o contrato da Dantas Transporte com a Secretaria de Educação do Estado (Seduc), o deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) voltou a endurecer o tom, na manhã desta quarta-feira (21), na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), contra a empresa que realiza o transporte escolar na capital e interior.

O deputado estadual Wilker Barreto (Foto: Divulgação)

O parlamentar afirmou que a Dantas já recebeu pouco mais de R$ 41 milhões dos R$ 54 previstos no contrato, e cobrou ainda a apresentação das carteiras de trabalho dos 1.487 monitores, destacando que a empresa recebeu o aditivo de R$ 18 milhões para a efetivação desses profissionais.

“Mais uma vez volto a trazer o tema sobre o transporte escolar, em especial da empresa Dantas Transporte. A empresa já recebeu R$ 41 milhões pagos pelo Governo de um contrato de R$ 48 milhões, que com as indenizatórias chega a R$ 54 milhões. Gostaria de saber do secretário Luiz Castro porque há quatro meses, ele justificou R$ 18 milhões a mais para a contratação dos monitores, mas que até agora não apresentou nada sobre a contratação desses servidores”, declarou.

De posse do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), Wilker revelou que a empresa possui apenas 648 servidores no quadro de funcionários.

“Isso materializa como um claro desvio de recursos públicos. De acordo com o CAGED da Dantas, a empresa tem 648 servidores que podem ser de serviços gerais, atendentes, o vigia que cuida da sede, mas não está o monitor. Mesmo que esse número fossem de monitores, ainda faltariam 800 carteiras assinadas.  Ou seja, são 1.487 monitores pais de famílias que poderiam estar trabalhando de forma digna. Isso é grave, muito grave”, explicou Barreto.

O deputado criticou ainda a falta de informações por parte do Governo, principalmente do secretário Luiz Castro, pelos questionamentos sobre o contrato com a empresa de transporte.

“Já tem denúncia no Ministério Público (Estadual e Federal) sobre este contrato que se encerra no dia 3 de setembro e não tem sequer processo licitatório em andamento. Há alguns meses venho falando isso e cobrando do Governo, da Secretaria de Comunicação, do secretário Luiz Castro, mas eles não se posicionam. E o que é pior, não chega um documento aqui na Assembleia que tem o papel de fiscalizar. Inclusive, eu recebi a informação que o secretário está para sair da Seduc”, disse o deputado ainda há espera das informações.

“Espero que ele segure só mais um pouco para explicar esse contrato e também compareça na convocação do próximo dia 27 da Comissão de Educação, que trata sobre a convocação dos aprovados no concurso da Seduc”, disse.

De acordo com o CAGED da Dantas, a empresa tem 648 servidores (Foto: Reprodução)

Governo mal nas pesquisas

Durante a Sessão, o oposicionista discursou que o Governo Wilson Lima tem uma rejeição de 70% da população amazonense nesses sete meses de mandato. “A pesquisa da conceituada Action mostrou que 70% do Amazonas não confia no governador, tudo isso em apenas sete meses de gestão. Isso só confirma que eu não prego no deserto”, afirmou o deputado.

Barreto comentou ainda que o atual governador não enfrenta os problemas do Estado, principalmente da Saúde. “Eu não me lembro de um governo no Amazonas que tenha um marcador tão negativo como a atual gestão. Esses 70% refletem que governador não enfrenta as problemáticas cotidianas, de um estado que a população cobra por soluções na saúde que está um caos. O governador se comporta como um Forrest Gump, contador de histórias, porque ele age como se fosse um estadista. Um governo que não consegue comprar dipirona, comprar uma luva, que não cumpriu 1,4% das suas promessas. O governo com sete meses já está reprovado pela opinião pública. Isso é preocupante”, ressalta Wilker.