Detran faz aditivo com empresa alvo da CPI

Empresa alvo de apuração no âmbito da CPI da Saúde, a WF Control ganhou termo aditivo com o Detran no valor de R$ 2,6 milhões para prestação de serviços de guarda de veículos

Manaus – O Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) firmou terceiro termo aditivo com empresa alvo de investigação pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, na Assembleia Legislativa do Estado (ALE). O novo termo firmado com a empresa WF Control Apoio a Gestão de Saúde e Atividades Empresariais Ltda. tem valor global de R$ 2,695 milhões e foi assinada no último dia 27.

Sócio da empresa WF Comtrol prestou depoimento a CPI e falou sobre contrato de ambulâncias com a Susam (Foto: Divulgação)

Segundo dados do Portal da Transparência do Governo do Estado, pelo contrato, a empresa prestará, por um ano, serviços de armazenamento, guarda e gestão de veículos apreendidos pelo Setor Operacional do Detran.
Apenas neste ano, a empresa faturou R$ 2.037.554 apenas com o contrato 21/2018 assinado com o Departamento de Trânsito.

Em publicação do Diário Oficial dos Municípios do último dia 28, o diretor-presidente do Detran Rodrigo de Sá Barbosa já determina emissão de nota de empenho nº 2020NE00809, datada de 25 de agosto, no valor de R$ 449.280 para pagamento a WF Control. O aditivo iniciou em 2 de setembro com vigência até setembro de 2021.

Apuração

Em 27 de julho, o sócio da WF Control, Fábio André Monteiro Lacerda, revelou a CPI da Saúde que o valor embutido no total cobrado e concordado junto à Secretária de Estado de Saúde, para serviços de ambulâncias, era muito superior ao mercado porque, em vez de ofertar apenas as serviço originalmente prestado por ele -, a empresa teve de também disponibilizar os profissionais de saúde para atuarem nelas.

“O sócio proprietário apresentou documentos hoje que serão analisados pela equipe da CPI e, se caso acharmos necessário, o convocaremos novamente para novos esclarecimentos. A empresa do senhor Fábio é mais um exemplo de valores apresentados por um empresário e não devidamente analisados, negociados, ou questionados pelo governo do estado”, afirmou, na época, o presidente da CPI, deputado estadual Delegado Péricles.

De acordo com o deputado estadual, o depoente alegou ter iniciado um tipo de acordo para a prestação de serviços, mas disse que eles teriam sido alterados depois. “Além do detalhamento não só referente ao número e tipo de ambulâncias destinadas para atender a saúde durante a pandemia – mesmo tendo ele alegado que o acordo inicial não era somente para demanda do Hospital de Campanha Nilton Lins -, a WF Control também prestou serviço de conservação e limpeza na mesma unidade hospitalar. Novamente uma mesma empresa ofertando serviços completamente diferentes. O senhor Fábio nos disse hoje (27 de julho) que está em processo indenizatório porque ninguém assinou o contrato antes, mas sabemos que ele não é o único nesta situação e é o que estamos apurando”, concluiu.

Anúncio