Em artigo em revista, Arthur Neto diz: ‘Acordem, tucanos’

Ao optar por seu conterrâneo paulista, o governador Geraldo Alckmin, Fernando Henrique desencorajou o uso de instrumento legítimo e democrático”

Manaus – Em artigo publicado na revista Veja, com o título ‘Acordem, tucanos!’, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, diz que o PSDB tem no cerne da sua história a defesa intransigente da democracia, o fortalecimento dos partidos e uma aproximação maior com os eleitores, mas quando se trata de ”olhar para dentro”, a lição não se aplica e o seu presidente de honra, Fernando Henrique Cardoso (FHC), “não é exceção à regra e tem demonstrado isso em diversas ocasiões”.

Ao optar por seu conterrâneo paulista, o governador Geraldo Alckmin, Fernando Henrique desencorajou o uso de instrumento legítimo e democrático. (Foto: Reinaldo Okita)

Arthur diz: “primeiro, em relação às prévias. Em vez de estimulá-las, reconhecendo as candidaturas postas à votação para a Presidência da República, Fernando Henrique cometeu uma sucessão de erros. Ao optar publicamente por seu conterrâneo paulista, o governador Geraldo Alckmin, desencorajou o uso desse instrumento legítimo e democrático”.

O prefeito lembra que, recentemente, para conturbar ainda mais o processo, FHC chegou a insinuar a defesa de um nome de quem não é candidato e tampouco pertence ao partido. “Atitudes assim ajudam a tirar ainda mais a credibilidade das prévias e despejam instabilidade na legenda”.

Ele também lembra que comunicou ao partido, em outubro, a intenção de disputar prévias internas, com o objetivo de sair candidato à Presidência da República. “No início, houve quem encarasse a ideia das prévias com olhar de pouco-caso e ceticismo. Afinal, como poderia alguém vir do Norte para tentar romper a visão paulistocêntrica, que condenou o partido a amargar quatro derrotas sucessivas em pleitos nacionais? Ao mesmo tempo, o prefeito João Doria, recém-chegado ao comando da principal cidade latino-americana, ensaiava passos de pretendente ao Planalto, o que não parece ter causado estranheza ao partido”, diz.

Para Arthur, a mensagem ficou clara: “Uma candidatura a mim é vedada e a ele não”. Diz que a candidatura presidencial de 2018 estava reservada a Geraldo Alckmin desde o “episódio Aécio”, “em que pese a dificuldade que o governador de São Paulo encontra para alçar voo de condor”. Chama de “determinismo estranho’. “O que fiz foi chacoalhar o partido e desafiar pelo menos esse destino. Fui chamado de imprudente por uns e “criador de caso” por outros, todos esquecidos de que deve ter sido mesmo “imprudente” o enfrentamento sem trégua que travei contra o ex-presidente Lula quando ele, durante seus governos, era praticamente uma divindade”, afirma.

Segundo o prefeito, “os que preferem o status quo não percebem que a cabeça do eleitor brasileiro mudou”. “A dubiedade não é cabível, as reformas são inadiáveis e não realizá-las é crime que lesa as novas gerações. É indesculpável, por exemplo, que a bancada de deputados não vote fechada com a reforma da Previdência. Além disso, hoje, o PSDB é visto como o segundo partido mais corrupto do Brasil, “perdendo” apenas para o inefável PT — ou seja, o partido se encontra em situação pior do que a de todos os demais nas descobertas sobre o formidável assalto cometido contra os cofres públicos”, disse.

O prefeito acrescenta que o PSDB transformou as prévias internas numa “novela”. “O Brasil não quer mais que as coisas sejam assim. A transparência é necessária, as decisões a portas fechadas já não encontram lugar no processo democrático. Se assim for, o País poderá concluir que a opinião de mão única de hoje se transformará em imposições indesejadas aos seus filhos amanhã. Enquanto o PSDB regride, bailam livres e atrasadas as opiniões de um Ciro Gomes, pressuroso em herdar votos de um Lula possivelmente inelegível. Ou até mesmo os dizeres de um Bolsonaro, despreparado e homofóbico”, escreve.

Para Arthur, “é hora de enfrentar as desigualdades regionais, os preconceitos caolhos, as estruturas econômicas esclerosadas”. Ele afirma que o Brasil “está pronto para ser governado sem populismo nem demagogia — por quem odeie a pobreza, e não as pessoas infelizmente pobres, por quem goste de rua e saiba governar”. Segundo ele, o PSDB não deveria ter debatido “a agora finada candidatura de um apresentador de TV”, se referindo a Luciano Huck. “Só retomando com seriedade as pautas históricas do partido conseguiremos nos credenciar para recuperar o respeito da opinião pública.

Seria mais benéfica a interferência do seu líder maior, Fernando Henrique Cardoso, em assuntos com o potencial de mudar o País, como é o caso da reforma da Previdência. Mais: deveríamos, com o apoio de FHC, expor o nome dos ‘traidores que votaram contra o futuro dos filhos e netos dos trabalhadores’”, diz. E acrescente: “Não é assim que as corporações do atraso operam? Pois que façamos o mesmo, só que em nome do futuro”

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