Em Manaus, Moro adianta contratação de agentes penitenciários para o AM

Sobre as supostas mensagens trocadas entre ele e a força-tarefa da ‘Lava Jato’, o ministro da Justiça e Segurança Pública se limitou a dizer que não vê “nada demais” e que não está no Estado para falar sobre o assunto

Manaus – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, reuniu, nesta segunda-feira (10), no Quality Hotel, os secretários estaduais de Justiça Cidadania, Direitos Humanos e Administração Penitenciária para um encontro nacional. A capital do Estado foi escolhida por conta do massacre ocorrido nos dias 26 e 27 de maio, onde 55 custodiados foram assassinados dentro de quatro unidades prisionais. Durante a reunião, o ministro, disse que a contratação de mais agentes penitenciários deve restabelecer o controle no sistema prisional do Amazonas.

“Uma das causas dessa crise nas cadeias é a falta de controle no sistema prisional no Estado e o número pequeno de agentes penitenciários, são apenas 60. Por isso, vamos contratar e qualificar mais profissionais, já que o último concurso na área foi em 1986. É imprescindível a contratação de mais agentes penitenciários. Existe a terceirização dentro dos presídios e eu precisava vir em Manaus ver de perto toda essa situação”, afirmou Moro.

O ministro se prontificou, ainda, a continuar prestando a ajuda necessária ao Estado. “Quero dizer ao governo e ao povo do Amazonas que o governo federal pretende ser um parceiro. O que puder ajudar, como já vem ajudando, o que o  governo vai tomar as providências. Nós estamos atentos e sabemos de nossas responsabilidades para resolver essas situações específicas”, disse ele.

Outro desafio, segundo o ministro, é a difícil tarefa em combater o tráfico de drogas na fronteira da Região Amazônica, tendo em vista que boa parte do material entorpecente que chega ao Brasil, passa por ela. O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Administração Penitenciária (Consej), Pedro Eurico, também participou do evento e falou da falta de investimento qualitativo no sistema prisional. “O Estado do Amazonas está a quase três décadas sem investimento, precisamos investir no setor”, afirmou o presidente.

A reunião do Consej, em Manaus, tem como objetivo apresentar o atual cenário do sistema prisional de cada estado, analisando processos administrativos e de gestão, além de métodos de alocação de internos dentro das unidades.

O ministro Sérgio Moro durante encontro com secretários estaduais de Justiça Cidadania, Direitos Humanos e Administração Penitenciária, em Manaus (Foto: Yago Frota)

Massacre

Durante o evento, o governador Wilson Lima falou sobre o massacre de maio de 2019 e revelou que a segurança pública do Estado tinha o conhecimento de que havia um plano de detentos para matarem 225 internos, entre os dias 26 para 27 de maio, o que seria o maior massacre já registrado no País.

Lima destacou, ainda, que uma briga interna entre membros da facção criminosa Família do Norte (FDN) provocou o massacre nos presídios. Conforme ele, o Estado tem, aproximadamente, 3.650 presos no regime provisório e outros 2.500 no regime fechado.

Além disso, 1.500 estão no semiaberto e 1.200 no regime aberto. Lima, declarou que visitará, ainda nesta segunda, o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), junto ao ministro Sérgio Moro, para inaugurar uma fábrica de panificação para os detentos que vai gerar cerca de 40 empregos aos custodiados.

Mensagens

Sobre as mensagens divulgadas pelo site ‘Intercept’, que apresentam trechos de conversas entre Moro e a força-tarefa da ‘Lava Jato’, o ministro declarou não ter visto “nada demais”. “O que houve ali foi uma invasão criminosa nos celulares dos procuradores e a imprensa vem fazendo um uso sensacionalista disso. Eu não vim ao Amazonas para falar sobre o assunto”, declarou o ministro.