Em Manaus, simpósio reúne especialistas para discutir alternativas de combate à corrupção

Evento que discute meios de combater a corrupção no país conta com apoio da REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) e presença de delegados, professores, militantes e ex-ministra do STJ

Manaus —  Operação ‘Lava Jato’, existência de organizações criminosas, além de alternativas para boas práticas de gestão, educação e liderança foram alguns temas abordados no III Simpósio Nacional de Combate à Corrupção que iniciou na tarde deste sábado (9), no Manaus Plaza Shopping, em Manaus. A organização estima a presença de cerca de 800 participantes no evento que aconteceu na capital com a presença de palestrantes de renome nacional e contou com apoio da REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC).

A abertura oficial do evento aconteceu às 13h30, seguida pela palestra ‘Desafios Atuais no Enfrentamento à Corrupção’, do delegado de Polícia Federal e diretor-regional da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal no Amazonas (ADPF – AM), Pablo Oliva, às 14h. Na ocasião, o delegado Pablo Oliva defendeu a ideia de que já existia corrupção no Brasil no passado assim como nos dias de hoje.

“Antes já existia corrupção, os órgãos de fiscalização eram praticamente ineficientes. A gente não conseguia notar a corrupção, mas ela estava lá. Hoje, o que o Brasil fez foi levantar o tapete e ver o que estava escondido lá embaixo”, destacou. Após a palestra do delegado da Polícia Federal tratando entre outros temas da operação ‘Lava Jato’, o evento seguiu com palestras da fundadora do movimento ‘NasRuas’, gerente de projetos, armamentista, Carla Zambelli, com o tema ‘A Importância do Exercício da Cidadania’.

A militante conservadora Carla Zambelli, que afirmou ter entregado o primeiro pedido de Impeachment à ex-presidente Dilma Rousseff, criticou a administração da gestora, afirmando que ela deixou que fossem roubados milhões no escândalo de corrupção da Petrobras. Também foi contra a tentativa de nomeação a ministro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela presidente em 2016, afirmando que houve obstrução da Justiça no ato.

A militante também criticou o Partido dos Trabalhadores (PT). “O PT tentou fazer do Brasil uma Venezuela. Existiam somente brasileiros, mas nos últimos 12 anos fizeram um trabalho hercúleo para dividir negros e brancos, pobres e ricos, nordestinos e sulistas, homossexuais e heterossexuais. E eles fazem isso para ter mais poder. É um luta do bem contra o mal. E querem destruir as nossas bases, nossas famílias e a nossa Justiça para poderem se servir do poder”, alegou ao declarar ter recebido ameaças e processos de outros políticos.

Depois foi a vez do advogado especialista em Direito Eleitoral, membro do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e um dos autores da Lei Ficha Limpa, Luciano Santos, com o tema: ‘Combatendo a Corrupção Eleitoral’. O evento contou ainda com a palestra da primeira mulher no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ex-ministra Eliana Calmon, com o tema ‘O Combate à Corrupção’, seguida pelo diretor jurídico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Coriolano Camargo, sobre ‘Ética vs Fake News’.

Eliana Calmon apresentou um histórico do combate à corrupção no Brasil, mostrando os pontos mais importantes dessa trajetória, que começou a partir da Constituição de 1988, na opinião da ex-ministra. Para ela, o escândalo do ‘Mensalão’ foi um divisor de águas. “A partir daí, inauguramos uma nova forma de ver as coisas porque, por meio do Mensalão, os corruptos deixaram pontas soltas de tal forma que a polícia conseguiu encontrar com facilidade as provas dos crimes. Naquele período, a Polícia Federal já estava mais aparelhada para as investigações e o Ministério Público mais modernizado”, destacou.

A palestra magna do evento ficou por conta do palestrante, escritor, psicólogo clínico, colunista da Rádio CBN, e consultor do programa ‘Encontro com Fátima Bernardes’, da Rede Globo, Rossandro Klinjey, com o tema ‘A Importância da Educação no Combate à Corrupção’. Ele falou sobre a necessidade de um equilíbrio entre a repressão e a liberdade na educação moral de crianças, pois isso influencia na política de um país.

“A grande função de uma família é dotar uma criança das competências de viver digna e eticamente no mundo. Saímos de uma sociedade extremamente repressiva e que precisava de reformas para uma extremamente permissiva. O problema é que o resultado da educação repressiva é mais funcional do que a permissiva. Não defendo a repressão, mas o equilíbrio. Não podemos voltar àquelas famílias repressivas, machistas, mas também não podemos ficar com as famílias sem ordem e disciplina, pelo peso que isso tem no caráter das pessoas”, afirmou.

O Simpósio Nacional de Combate à Corrupção serviu para o debate do atual cenário político-econômico brasileiro, bem como as novas medidas de enfrentamento à corrupção, sendo destinado a educadores, estudantes de diversas áreas, servidores públicos, operadores do Direito, profissionais liberais, dentre outros.

** Matéria atualizada às 20h56 para acréscimo de informações.

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