Embaixada em Israel gera polêmica no Amazonas

Representante da comunidade árabe-palestina no Estado afirmam que eventual mudanças de embaixada do Brasil para Jerusalém causará reação do povos árabes e também de descendentes no Amazonas

Manaus – O presidente da Sociedade árabe-palestina do Amazona, Mamoun Yousef Imwas, disse que a entidade – representativa de quase 400 mil pessoas no Estado – repudia a intenção do presidente Jair Bolsonaro em mudar a Embaixada Brasileira em Israel para a cidade de Jerusalém.

“Nós condenamos esta intenção de mudar a embaixada por ser contra a resolução da ONU e lei internacionais. Ele não pode fazer isto contra os palestinos. Jerusalém ainda é uma cidade indefinida sobre qual povo pertence: ainda não está definida a qual país ficará com a cidade sagrada. Em geral, as embaixadas ficam na capital do país e todos os países que têm relação diplomáticas com Israel mantém suas representações em Tel-Aviv, com exceção dos Estados Unidos e Guatemala”, disse.

Comunidade árabe-palestina no Amazonas reage contra intenção do governo brasileiro (Foto: Raquel Miranda/GDC)

Segundo Imwas, a Palestina sempre teve uma boa relação com o Brasil, algo que pode mudar com eventual mudança da sede da representação diplomática. “O Brasil só tem a perder com isto porque a balança comercial com Israel é negativa. Ao contrário do que com países árabes, em que o País tem bilhões favoráveis”, disse.

O presidente da entidade disse que, apenas no Amazonas, a comunidade árabe oferece mais de 15 mil empregos diretos, além de outros milhares indiretos. “Na verdade, o que Israel tem a oferecer ao Brasil? A maior tecnologia oferecida por Israel são armas de guerras e nós não temos, nem queremos guerra aqui, com ninguém” afirmou.

Em 2014, Mamoun Imwas foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Estado (ALE) com o título de cidadão do Amazonas pelos relevantes serviços prestados ao Estado. O representante afirmou que a comunidade árabe-palestina no Brasil fará um Congresso no final deste mês em Porto Alegre (RS). “Será nos dias 26 e 27 e, deste encontro, sairá uma nota oficial de nível nacional. Por enquanto, ainda não temos planos de manifestações porque aguardamos o posicionamento da embaixada de Palestina”, afirmou.

Na segunda-feira (1º), o presidente Bolsonaro afirmou que “bem antes” do final do seu mandato tomará a decisão sobre se vai transferir a embaixada do Brasil de Tel-Aviv para Jerusalém, como prometeu durante a campanha eleitoral. “Eu tenho o compromisso, mas meu mandato vai ate 2022, tá ok?”, disse.

O presidente brasileiro também explicou que se fosse iniciar os processos de negociação com Israel, atualmente, escolheria a cidade sagrada para sediar a representação brasileira. “Eu botava a embaixada onde? Seria em Jerusalém, tá certo?”.

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