Empresa de Macário já faturou R$ 74 milhões na Seduc

Empresa que tentou calar GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO já foi alvo de investigação da Polícia Federal

Manaus – Empresa envolvida em inquérito da Polícia Federal (PF), que apura desvios de recursos federais, já faturou R$ 74 milhões da Secretaria de Estado e Qualidade do Ensino (Seduc) desde o início da gestão do governador Wilson Lima, em 2019, segundo o Portal da Transparência. A antiga A. G.H. Macário Refeições, atual Pajura Comércio Atacadista de Produtos Alimentícios Ltda., controlada por Gustavo Macario Bento, fornece almoço e merenda escolar.

(Foto: Divulgação)

No primeiro ano da gestão Wilson Lima, 2019, a então A. G.H. Macário recebeu R$ 40,1 milhões da Seduc. No ano seguinte, 2020, o volume de recursos atingiu R$ 20,6 milhões.

A empresa de Macário continuou faturando alto em plena pandemia da Covid-19 ao receber de R$ 8,6 milhões, em 2021. Neste ano – até a última sexta-feira, (27), a atual Pajura Comércio, já recebeu R$ 5,1 milhões da Seduc.
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Atualmente, a Pajura mantém contrato ativo com a Seduc, até setembro, no valor total de R$ 31 milhões. Pelo contrato atual a empresa é obrigada a fornecer na refeição carne bovina sem osso, contra-filé, carne moída de patinho, além de filé de pirarucu, filé de surubim, filé de pescada e filé de tucunaré.

Não devem entrar na preparação de carne os empanados industrializados e, quando o prato principal for pescado, deverá haver uma segunda opção de alimentação.

Histórico

A empresa G.H. Macario abocanhou, em 2019, sem licitação contrato para fornecer os mesmos serviços para a capital e o interior. À época, a Seduc alegou situação de emergência pois o novo governo acabara de assumir e não havia contrato para fornecer alimentação escolar.

Em meio às cobranças de deputados na Assembleia Legislativa do Estado (ALE), a então presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), conselheira Yara Lins, suspendeu dispensa de licitação e determinou que a Seduc realizasse um procedimento licitatório.

Na época, A decisão de Yara Lins atendeu pedido do Ministério Público de Contas (MPC), feito por meio do procurador de contas Carlos Alberto Souza de Almeida contra o então secretário da Seduc, Luiz Castro, ao citar irregularidades relativas à dispensa do procedimento licitatório.

Na ocasião, a conselheira do TCE citou que o ato da Seduc atenta contra o interesse da sociedade. “Pelo exposto, fica evidente a fundamentação para concessão da medida cautelar, uma vez que, comprovadamente, evidencia-se o requisito do perigo da demora nas espécies de fundado receio de grave lesão ao erário e ao interesse público”.

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