Empresa  dos R$ 20 mi  da Afeam foi abandonada

 Prédio da Transexpert, no bairro Santo Cristo, na região portuária do Rio de Janeiro, foi abandonado;  carros fortes estão no meio de entulhos e documentos dos trabalhadores estão no lixo

Da Redação / [email protected]

A Trans-Expert é investigada como caixa-forte da corrupção no Rio (Reprodução/ TV Globo)

Manaus – A Transportadora Transexpert, do Rio de Janeiro, na qual a Agência de Fomento do Amazonas (Afeam) ‘investiu’ R$ 20 milhões do dinheiro do contribuinte, na administração do ex-governador José Melo (PROS), está abandonada e sofrendo saques, segundo reportagem publicada no jornal RJTV, da Rede Globo, e no Portal G1. O dinheiro da Afeam foi dado para que a empresa montasse uma filial em Manaus, o que nunca ocorreu.

A Transexpert teve o registro cancelado em definitivo pela Coordenação de Controle de Segurança Privada da Polícia Federal (PF) e foi  proibida de operar, sem poder de gerar receita e com passivos trabalhistas e dívidas com fornecedores, aumentando as chances do dinheiro aplicado pela Afeam nunca mais ser recuperado.

A reportagem  da Rede Globo mostrou, terça-feira,  que o prédio da transportadora, no bairro Santo Cristo, na região portuária, além de abandonado tem documentos de cerca de 2,5 mil ex-funcionários no lixo. Carros-fortes também estão no meio do entulho. Os vizinhos da transportadora contaram que os saques no prédio são constantes e que o portão está sempre aberto.

A Transexpert é investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) como caixa-forte da corrupção no Rio de Janeiro e funcionava como uma espécie de banco, para guardar o dinheiro da propina, segundo os procuradores. No pedido de prisão do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), os procuradores afirmam que a empresa é suspeita de fazer parte do esquema de lavagem de dinheiro. A Polícia Federal (PF) fez buscas na transportadora e apreendeu documentos relacionados aos réus da operação Calicute.

Nessa mesma operação, foram encontradas anotações que citavam o ex-secretário de Obras do Rio, Hudson Braga, que está preso. Ainda segundo ao MP, na empresa também foi encontrado uma cópia de uma declaração do Imposto de Renda (IRPF) da ex-primeira dama do Rio, Adriana Ancelmo.

A Trans-Expert também foi citada na delação dos ex-executivos da Odebrecht, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Um dos delatores contou que a empresa recebia recursos de um esquema de sonegação da Cervejaria Petrópolis. Segundo Olívio Rodrigues, o doleiro Alvaro Novis, que também está preso, recebia os recursos e, seguindo orientações do setor de propinas da empreiteira, distribuía para políticos em forma de propina ou caixa dois.

Na época, o investimento na empresa de segurança do Rio de Janeiro representava 9% do caixa da Afeam, de R$ 244 milhões. Os R$ 20 milhões investidos significavam mais de 25% da previsão do volume total de empréstimos do programa estadual de microcrédito, denominado Banco do Povo, que facilita o acesso de  microempreendedores individuais, profissionais liberais, trabalhadores autônomos, produtores rurais e  micro e pequenas empresas ao crédito.

A TransExpert teve o registro cancelado em definitivo pela Coordenação de Controle de Segurança Privada da Polícia Federal (PF) e foi  proibida de operar, sem poder de gerar receita e com passivos trabalhistas e dívidas com fornecedores, aumentando as chances do dinheiro aplicado pela Afeam nunca mais ser recuperado.

 

Bens de dirigentes da Agência foram bloqueados pelo TCE

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinou o bloqueio de bens no valor de R$ 20 milhões do ex-diretor-presidente da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), Evandor Geber Filho, nomeado pelo então governador do Estado, José Melo (PROS), e de mais cinco funcionários da agência.

A decisão atendeu representação do Ministério Público de Contas (MPC) contra os servidores que investiram R$ 20 milhões da Afeam na empresa Transexpert Transporte de Valores, do Rio de Janeiro, suspeita de lavar dinheiro desviado por grupos políticos.

Para o MPC, a aplicação “constitui medida temerária em razão de uma série de pontos negativos, que denotam fortes indícios de má aplicação de recursos públicos, o que configura grave irregularidade cometida pelo gestor representado”. Além de Evandor, o bloqueio atingiu o diretor de crédito, Marcos Paulo do Vale, os assessores Otniel Tavares Monteiro e Ciro Trellese Júnior, e o auditor de Risco Alan Douglas Azevedo de Farias.

Na representação, o MPC citou que o investimento  possui “uma taxa de administração de 1,5%, que é considerada altíssima em comparação com outros fundos” e que “o montante envolvido e a natureza temerária de emprego de tais recursos em uma ‘arapuca’ traz a evidência de um possível conluio para dilapidação do dinheiro público envolvendo diferentes agentes, tanto públicos quanto privados, o que remete à necessidade de urgente atuação do Ministério Público Estadual para medidas que entender necessárias, a exemplo de quebra de sigilo telefônico dos envolvidos”.

Anúncio