Empresários fazem carreata pedindo reabertura do comércio em Manaus

Segundo o organizador, aproximadamente 500 carros participaram da ação na tarde desta sexta-feira (27)

Manaus – Após discurso do presidente Jair Bolsonaro em rede nacional, na última terça-feira (24), manifestações pró-governo pedem o retorno do funcionamento dos estabelecimentos não essenciais, que por decretos, estão fechados. O Planalto chegou a lançar a campanha ‘O Brasil não pode parar’, orçada em R$ 4,8 milhões, que defende a flexibilização do isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus, incentivando que as pessoas voltem ao trabalho.

(Foto: Carlos Nascimento)

Em Manaus, empresários se reuniram durante carreata realizada na tarde desta sexta-feira (27), para solicitar o retorno da atividade econômica no Amazonas. Proprietários do segmento do varejo e de serviços se concentraram às 16h, no posto 700, na Avenida Djalma Batista, no bairro Nossa Senhora das Graças, e percorreram as principais avenidas da cidade, até a concentração final, na Ponta Negra.

Segundo o organizador, Fred Melo, o evento superou todas as expectativas, já que a carreata foi organizada de última hora, na quinta-feira (26) à noite. “Hoje, conseguimos mobilizar uma boa turma, cerca de 500 carros participaram, sem contar com motos e os cavalos mecânicos que também vieram protestar e pedir o retorno do comércio”, disse.

O objetivo da carreata, segundo o empresário, é chamar a atenção do governo do Amazonas, para que analise os decretos e permita a reabertura do comércio. Durante a carreata, o presidente Jair Bolsonaro, acompanhou parte do evento por meio de videochamada e gritou junto aos participantes “vamos trabalhar!”.

Na quinta, em ofício encaminhado ao Governo do Amazonas, empresários do setor da indústria, comércio e serviços, solicitaram audiência com o governador Wilson Lima, para tratar de propostas que minimizem os impactos da quarentena e da suspensão das atividades econômicas devido a pandemia de Covid-19. A proposta é que as lojas de rua do Centro de Manaus abram em turnos curtos de seis horas, das 9h às 15h, permitindo o revezamento de funcionários. No caso dos shoppings, a reabertura seria das 15h às 21h.

Além disso, os empresários solicitam a postergação por 120 dias da cobrança de tributos estaduais; o cancelamento de multas decorrentes de inadimplência fiscal pelas empresas; redução dos percentuais de MVAs (Margem de Valor Agregado) aplicados nas entradas de mercadorias no regime de substituição tributária na origem e nas entradas de mercadorias; prorrogação, por 90 dias, do prazo de validade das certidões negativas de débito; além de linhas de crédito para as micro e pequenas empresas.

O Brasil não pode parar

Um vídeo com assinatura do governo federal deu início a uma campanha institucional para defender a flexibilização do isolamento social por conta da crise do coronavírus. Chamada ‘O Brasil não pode parar’, a iniciativa do Planalto é incentivar que as pessoas voltem ao trabalho para retomar a atividade econômica do País. A campanha está orçada em R$ 4,8 milhões.

O vídeo lançado não cita dados do coronavírus ou da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas cita trabalhadores informais e assalariados como justificativa para que a quarentena decretada em alguns estados seja revogada.

Mesmo que a campanha não tenha sido publicada em páginas oficiais do Governo Federal, o senador Flávio Bolsonaro – filho do presidente – postou em suas redes sociais, com o pedido para que os seguidores compartilhassem o material.

O presidente Jair Bolsonaro chegou a compartilhar um vídeo de uma carreata em Santa Catarina que pedia o fim da quarentena, mas poucos minutos depois, apagou de suas redes sociais.

De acordo com a atualização diária do Ministério da Saúde sobre os casos de coronavírus, o Brasil tem 3.417 infecções confirmadas da covid-19 e 92 mortes até o momento, segundo anunciado pela equipe de saúde nesta sexta-feira (27). O Amazonas contabiliza, 80 casos confirmados e um óbito.

Anúncio