Ex-gerente da Susam revela processo de contratação da Norte Serviços para o interior do AM, em 2017

A ex-gerente de compras da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) Narelda da Silva Barros prestou depoimento, nesta segunda-feira (3), à CPI da Saúde e desabafou: “Efetivamente foi o cargo que eu nunca quis”

Manaus – A CPI da Saúde ouviu na manhã desta segunda-feira (3) a ex-gerente de compras da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) Narelda da Silva Barros. Os parlamentares investigam processos licitatórios do setor de compras da Susam com a Norte Serviços Médicos, conhecida por executar serviços de lavanderia para o hospital de campanha da Nilton Lins.

“Efetivamente foi o cargo que eu nunca quis”, disse Narelda durante depoimento na Assembleia Legislativa do Estado (ALE). A ex-gerente, que esteve à frente do setor por um curto período em 2017, pediu afastamento da função após sofrer um infarto. A CPI da Saúde investiga o ganho de mais de R$ 868 mil pela Norte Serviços Médicos em apenas quatro dias de atendimento no interior do Amazonas.

Segundo a ex-gerente, foram apenas 30 dias à frente do setor de compras, no período de 7 de agosto a 6 de setembro de 2017. “Fiquei nesse curto período porque o secretário teve que assumir outra responsabilidade. Eu trabalhava no setor, mas como agente administrativo”, explicou Narelda.

Narelda da Silva Barros esteve à frente do setor de compras da Susam de 7 de agosto a 6 de setembro de 2017 (Foto Anamaria Leventi/Divulgação)

De acordo com dados da CPI da Saúde, a Norte Serviços lucrou R$ 868 mil em quatro dias de atendimento nos municípios de Envira, Ipixuna e Guajará, onde foram realizados exames de colposcopia e conização. No processo indenizatório, a empresa alega ter atendido 91 pacientes e o exame custou R$ 8.680 mil, o mesmo procedimento é cobrado pela rede particular de saúde, o valor máximo de R$ 1.3 mil. Uma diferença de mais de R$ 7,3 mil e esse valor representa fortes indícios de superfaturamento.

O processo licitatório ainda contém irregularidades e contradições na montagem de notas e relatórios, segundo a CPI da Saúde. Durante o depoimento, Narelda Barros, informou que o setor de compras não tinha muita autonomia e, na época, por conta da deflagração da ‘Operação Maus Caminhos’ e a troca de secretários, o setor estava parado. Esta foi justificativa para demora a sair os contratos. Na época, o gerente era Domingos Péricles.

“Sobre esse processo de licitação dos atendimentos, eu realizei antes, uma cotação de pesquisa desses serviços que seriam realizados em vários municípios. O que eu apresentei era apenas uma estimativa para licitar, ir para um pregão eletrônico”, disse Narelda.

De acordo com a advogada da depoente, não há autonomia dos gerentes em relação ao tipo de processo. “Já vem do secretário de saúde a determinação se é um processo indenizatório, licitações e etc.”, disse.

O deputado Wilker Barreto rebateu que a situação com a Norte Serviços ficou mais delicada, uma vez que foi pago um serviço por processo de licitação que se pensava em fazer como pregão eletrônico. “O que eu percebo é que parece que tem uma burocracia proposital que leva os processos a se tornarem licitatórios que passe ser uma descrição do secretário ou do governo diz que Ciclano, Beltrano e Fulano que executam os serviços”, disse.

Durante o depoimento, o parlamentar sugeriu que a CPI da Saúde encaminhe todos os documentos ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM) para que órgão possa verificar e analisar todos os processos. “No que diz respeito a essa empresa Norte Serviços podemos passar dias encontrando problemas, por isso, que eu proponho aos deputados que uma vez materializado algum tipo de dano que possamos denunciar aos órgãos de controle”, indicou Wilker Barreto.

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