Ex-gestor do INSS é denunciado à Justiça

O MPF denunciou o ex-gerente executivo do INSS no Amazonas, Clizares Santana. pelos crimes de corrupção, peculato, coação e inserção de dados falsos em sistema de informações

Manaus – O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o ex-gerente-executivo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Amazonas, Clizares Doalcei Silva de Santana, pelos crimes de corrupção, peculato, coação e inserção de dados falsos em sistema de informações. O ex-gerente foi preso na operação ‘Zero Um’, deflagrada em 22 de abril, que cumpriu mandados de prisão em Manaus (AM), Manacapuru (AM) e Ilhéus (BA).

As fraudes cometidas por Clizares passaram a ser investigadas a partir de notícias de possível concessão indevida de benefício previdenciário e enriquecimento ilícito. Após monitoramento telefônico autorizado pela Justiça Federal, foi possível constatar que o gerente se utilizou do cargo para obter vantagens para si e para terceiros, incluindo pedido de propina sobre contrato firmado por empresa com o INSS.

As investigações conduzidas pelo MPF, pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram que o gerente cobrou pagamento de propina de mais de R$ 126 mil, correspondendo a 10% do valor do contrato para retomada e conclusão da obra de construção de agência da Previdência Social em Careiro Castanho (AM). Além disso, Clizares indicou à empresa contratada pelo INSS a contratação de uma corretora específica, de modo a beneficiá-la.

Os dados da operação envolvendo o INSS foram apresentados, em abril (Foto: Nathalie Moraes/Divulgação)

Em outra situação, o gerente do INSS solicitou à representante de empresa prestadora de serviços gerais que ele próprio indicasse os funcionários a serem contratados para atuar, pela empresa, no instituto. Diante de denúncia feita pela representante da empresa na Procuradoria Federal junto ao INSS, Clizares a pressionou, levando a representante a desfazer a denúncia já formalizada.

A concessão de benefício de pensão por morte de maneira indevida a uma pessoa da família de Clizares também foi uma das fraudes identificadas na investigação. Utilizando-se do cargo de gerente-executivo, ele inseriu dados falsos no sistema do INSS para que uma prima dele, que mora em Ilhéus (BA), recebesse o benefício sem apresentar os documentos exigidos para isso.

Clizares foi preso em cumprimento de mandado de prisa~o preventia no final de abril e, de acordo com a Polícia Federal, Clizares se aproveitava de sua posição na autarquia para praticar os crimes em série. “Estamos investigando quantas pessoas podem ter sido beneficiadas de modo irregular. Constatamos, ainda, a prática do crime de peculato a partir de possíveis fraudes em contratos do órgão com terceiros”, disse, em abril, delegado da Polícia Federal Max Ribeiro.