Flávio Bolsonaro desconhece origem dos depósitos repassados pelo ex-assessor na conta da esposa

O MP afirmou que o dinheiro foi usado para dar entrada no apartamento do casal

Brasília – Em depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), o senador Flávio Bolsonaro afirmou que desconhece depósitos feitos pelo ex-assessor parlamentar, Fabrício Queiroz, a qualquer membro de sua família, e afirma ainda que nenhum outro familiar recebeu dinheiro de outros funcionários da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na época em que exercia o mandato de deputado estadual.

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) (Foto: Tânia Rego/ABr)

O seu depoimento contraria as investigações do MP-RJ no inquérito sobre um suposto esquema de rachadinha.
Um depósito de R$25 mil em dinheiro feito por Queiroz, em agosto de 2011, na conta da mulher do senador, foi descoberto por promotores, logo após a quebra de sigilo bancário dos antigos funcionários de Flávio Bolsonaro.

O senador disse não saber da origem do dinheiro e que eles dessem uma “checada” pois ele “tem quase certeza que não deve ter nada haver com Queiroz”. Afirmou ainda que o ex-assessor nunca depositou nenhum dinheiro na conta da esposa.

O MP afirmou que o dinheiro foi usado para dar entrada no apartamento do casal, que foi comprado naquele ano. Fernanda teria recebido outro depósito de uma pessoa que teve a identidade protegida. As informações são do jornal O Globo.

Fabrício Queiroz 

Queiroz foi preso no dia 18 de junho, em Atibaia (SP), na casa do então advogado do senador, Frederick Wassef. Na entrevista, Flávio voltou a negar que soubesse que o ex-assessor era abrigado por Wassef. Queiroz está em prisão domiciliar no Rio.

Rachadinhas

O crime consiste no repasse, por parte de servidores públicos ou um funcionário terceirizado de governos federal, estadual ou municipal, de parte do salário ou da remuneração para políticos e assessores parlamentares.

Essa prática está ligada a alguém que procura emprego desesperadamente e se sujeita a repassar parte dos vencimentos a quem o contrata, no caso um agente público ou um assessor.

A rachadinha se aproxima de outro crime, a contratação de funcionários-fantasma. Neste caso, um determinado político escolhe e nomeia um colaborador, que não trabalha efetivamente e só repassa os vencimentos ao político. No caso da rachadinha, porém, o contratado realiza atividades do cargo.

Anúncio