Governo do AM inviabilizou uso de avião dos EUA para trazer oxigênio

O ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, destacou que não houve uma resposta rápida do Estado durante a ‘ Crise do Oxigênio’

Manaus – A crise do oxigênio no Amazonas foi colocada em pauta, nesta terça-feira (18), durante reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado. A terceira semana de depoimentos contou com a presença do ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo. Os questionamentos sobre a crise do oxigênio partiram do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que questionou a ação do ex-chanceler durante a crise do oxigênio no Amazonas.

Governo do AM inviabilizou uso de avião dos EUA para trazer oxigênio (Foto Divulgação-Secom)

“Na ‘Crise do Oxigênio’ no Amazonas, durante o pico em janeiro de 2021, existia uma demanda de 76.5 mil metros cúbicos, enquanto a produção dos três maiores fornecedores do Brasil soma 28.2 mil metros cúbicos, demonstrando a necessidade de importação. Eu pergunto ao senhor, na sua gestão como foi a atuação do Ministério das Relações Exteriores para auxiliar na solução de crise do oxigênio de Manaus?”, questionou o senador.

O ex-ministro explicou que durante a crise, a primeira demanda que o Itamaraty recebeu por parte do Governador do Amazonas e outros parlamentares do estado, foi o pedido de um avião capaz para o transporte de oxigênio.

“No entendimento de que não havia avião para transporte, que haveria oxigênio em outras partes do Brasil, depois verificou-se que a demanda era por oxigênio e não pelo avião e insistentemente pedimos especificações do Governo do Amazonas mas também em contato com o Ministério da Saúde, para pedir uma doação… mas não vieram tempestivamente”, afirmou o ex-chanceler.

O ex-ministro Ernesto Araújo também destacou que as tratativas já estavam sendo verificadas junto aos Estados Unidos que já havia se prontificado para auxiliar o Brasil com o envio dos insumos necessários, incluindo o avião que transportaria o oxigênio. Como não houve resposta em tempo hábil, o país enviou doação de condensadores de oxigênio. Araújo também mencionou a doação por parte de países vizinhos inclusive a doação do oxigênio pela Venezuela.

Alarmado com a resposta, o senador Eduardo Braga questionou ao ex-chanceler se,  as informações do pedido do Governo do Amazonas, com as as especificações necessárias para que o avião  transportasse o insumo, chegaram até a chancelaria brasileira. Ao ter a confirmação do ex-chanceler, o senador Eduardo Braga destacou o fato como ato criminoso.

“Ou seja, é mais criminoso ainda. Havia o avião, havia as tratativas do governo brasileiro através da chancelaria e esse avião não foi utilizado para salvar vidas por não ter havido informações complementares e por outro lado, o Ministério da Saúde, substituindo o papel do governo do estado, também não o fez. Enquanto isso, lamentavelmente brasileiros amazonenses morriam por falta de oxigênio”, disse o senador.

Anúncio