Governo gasta mais de R$ 900 milhões com detentos em meio à crise de segurança

Levantamento do GDC revela que por ano, cada preso custou, em média, R$ 19,3 mil aos contribuintes do Amazonas

Manaus – Enquanto a violência explode no Amazonas, o governo do Amazonas realiza gastos astronômicos com presídios no Estado. Levantamento do GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) revela que desde o início da gestão Wilson Lima, o governo já gastou R$ 911,2 milhões com alimentação e para empresas administrarem as unidades prisionais. Por ano, cada presos custou, em média, R$ 19,3 mil aos contribuintes amazonenses.

(Foto: Divulgação)

De acordo com dados do Portal da Transparência do Estado, apenas com alimentação dos presidiários, o Estado pagou R$ 93 milhões entre 2019 até junho deste ano. Os valores são distribuídos entre três empresas: G H Macario Bento, AJ Refeições Ltda. e Triseven Serviços de Construção de Edifícios e Fornecimento de Alimentos.

Os gastos são estratosféricos quando se fala em pagamentos feitos a empresas terceirizadas que gerenciam os presídios. As cinco empresas que administram os presídios do Estado embolsaram R$ 818 milhões desde o início da gestão Wilson Lima. As empresas beneficiadas no período foram: Reviver Administração Prisional Privada; RH Multi Serviços Administrativos Ltda.; Umanizzare Gestão Prisional e Serviços Ltda.; Embrasil Empresa Brasileira de Segurança Ltda.; e ainda New Life Gestão Prisional Ltda.

O montante de R$ 911,2 milhões com a administração dos presídios e alimentação dos detentos equivale a uma média de R$ 19,3 mil por cada presidiário em um ano. Em 2019 eram 11.489; em 2020, 11.649; em 2021, 12.204. Como não há dados deste ano, foi tomado como base a média dos três anos, que ficou em 11.780. Somado, o número atinge 47.122 detentos.

Em meio a estes problemas, a insegurança dos cidadãos do Amazonas só cresce. Sob a gestão de Wilson Lima, o Amazonas ficou na frente na taxa de assassinatos, com alta de 49%, ao somar 1.670 mortes entre 2020 e 2021. No período, Manaus concentrou 57,5% dos crimes e puxou o índice da violência, com 1.060 assassinatos, crescimento de 58,7%, aponta o Anuário da Segurança Pública.

O número de homicídios dolosos no Amazonas também cresceu, ao passar de 954 para 1.486, entre 2020 e 2021, alta de 55,7% enquanto que os crimes de latrocínio, ou roubo seguido de morte, evoluíram 50%, aponta o anuário.

Em entrevista ao ‘Estadão’, o diretor-presidente do Fórum, o sociólogo Renato Sérgio de Lima, disse que a ação de facções criminosas no sistema prisional e de milícias, ajudou a aumentar os índices de violência no Amazonas.

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