Guedes é criticado por fala sobre região

Para o deputado federal Bosco Saraiva, o ministro Paulo Guedes é um “extremado liberal” e lembrou que a bancada do Amazonas tem uma luta diária em defesa da Zona Franca de Manaus

Manaus – “O (ministro da Economia) Paulo Guedes fala muito”, disse o deputado federal Bosco Saraiva (Solidariedade-AM), na manhã desta quarta-feira (22), no programa DIÁRIO DA MANHÃ, da RÁDIO DIÁRIO 95.7 FM, do GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC), em relação às declarações de Guedes, no Fórum Econômico Mundial, que ocorre em Davos, na Suíça. Além disso, Bosco falou, também, sobre a reforma tributária.

Na terça-feira (21), Guedes afirmou durante um painel do Fórum Mundial que “o pior inimigo da natureza é a pobreza. As pessoas destroem o meio ambiente porque precisam comer”.

“O ministro é um liberal extremado. Ele não se mete só na questão da Amazônia, ele se mete nas questões ideológicas, nas questões da educação, nas questões gerais. Ele tem a formatação de uma ideia de liberdade ampliada, que é a Escola de Chicago. Quando você investiga o pensamento liberal da Escola de Chicago, você chega à conclusão que há um posicionamento, de certa forma, de desregulamentação daquilo que foi regulamentado ao longo do tempo”, disse Bosco.

Bosco Saraiva: “O ministro é um liberal extremado” (Foto: Raquel Miranda/Arquivo-GDC)

Bosco destacou, ainda, que, ao longo do ano de 2019, a bancada amazonense teve que ‘brigar’, diariamente, em favor da Zona Franca de Manaus.

“Quando você conversa com o ministro Paulo Guedes, ele consegue expor o pensamento dele em relação ao Amazonas e a Amazônia. Nós queremos ser uma futura China, no ponto de vista econômico, mas, no momento, o que nós precisamos é preservar a Zona Franca de Manaus, e essa é uma batalha diária”, disse.

Reforma tributária

Bosco ressaltou que, para a Zona Franca, a reforma tributária é crucial. Porém, observa que não há propostas efetivas que acompanhem o desenvolvimento do comércio.

“Todas as propostas que existem no Congresso Nacional, hoje, são regressivas. Elas são, na verdade, um ajuntamento de imposto para melhor cobrar. Em tese, é isso. Uma reforma tributária, como todos nós desejamos, que desonere a indústria e o setor produtivo, que faça justiça, efetivamente, àqueles que menos recebem dinheiro, que têm o menor poder aquisitivo, esta, ainda não chegou, não existe”, pontuou.

Conforme o deputado, um dos focos principais dos debates é que o atual governo é contra incentivos fiscais, de uma forma geral, o que acabou desacelerando as discussões em torno da reforma.

“A parte da centralização ela acaba, também, com todos os incentivos concedidos pelos estados, a partir dos seus ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços). Isso mexeu com todo mundo, e a reforma parou de andar, ela arrefeceu desde outubro, justamente por esse impacto do incentivo fiscal. O governo odeia incentivo fiscal”, disse.

Para o deputado, a Zona Franca foi um modelo que prosperou. “Nós não desmatamos, nós cuidamos da floresta e criamos uma sociedade embasada em cima dessa matriz econômica, que é absorvida, de uma forma geral, como sendo um polo de desenvolvimento econômico e não um polo de incentivos fiscais, pois aqui tem indústria”, afirmou.

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