Intervenção federal na Saúde é cobrada

A falta de oxigênio em unidades de Saúde no Amazonas e a falta de planejamento para amenizar os efeitos da segunda onda da Covid-19 leva políticos e entidades a pedir intervenção no Estado

Manaus – Entidades, parlamentares e outras autoridades cobram o governo do Estado pela caos na Saúde do Amazonas agravada pela falta de oxigênio em unidades de tratamento em Manaus. Eles apontam falta de ação do governo Wilson Lima e pedem intervenção federal no gerenciamento na área de Saúde.

A União Nacional dos Legislativos e Legisladores Estadual (Unale) enviou, ontem, um ofício ao ministro da Saúde, Eduardo Pazzuelo, solicitando atenção máxima para o Estado do Amazonas, que enfrenta a fase roxa da pandemia da Covid-19 e considerada a mais grave de todas as classificações. O pedido é uma resposta ao apelo do deputado estadual Wilker Barreto (Podemos), que acionou a entidade por conta do crescimento alarmante no número de novos casos, internações e óbitos por conta da doença no Estado.

Falta de gestão Familiares de pacientes foram obrigados adquirir cilindros de oxigênio para pacientes internados (Foto: Reprodução/Rede social)

Já o deputado federal Pabçlo Oliva (PSL/AM) enviou ontem ofício de nove páginas ao presidente Jair Bolsonaro, assinado por outros dois colegas de partido, Delegado Marcelo Freitas e Felício Laterça, expondo a caótica situação do Amazonas e pedindo urgência na intervenção federal na saúde do Amazonas.

O deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM) entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores a fim pedir auxílio na superação dos entraves logísticos que impedem que cilindros de oxigênio cheguem ao estado e possam salvar vidas.

Por sua vez, o senador pelo Amazonas Eduardo Braga (MDB) usou suas redes sociais para sugerir intervenção federal na saúde pública do Amazonas. No recado, endereçado especialmente ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro Eduardo Pazuello, o parlamentar disse que seria recomendável o governo federal assumir o controle da área e montar uma “operação de guerra” para combater a Covid-19 no Estado.

O presidente do Sindicados dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mário Viana, também pediu intervenção federal na Saúde do Estado. “Estamos perdendo vidas aqui. Há algumas semanas a gente já vinha citando que era um cenário de guerra e que o caos iria se instalar. É o que eu vejo hoje. Apesar dos esforços, a situação, no meu entendimento, é crítica. É preciso ter um comando unificado, um comitê de crise instalado em vários setores para poder dar as soluções necessárias para essa situação de guerra que aqui vivemos”, afirmou.

Outro que se manifestou foi o procurador de Justiça Públio Caio Bessa Cyrino, que tinha um filho internado no Hospital Fundação de Medicina Tropical, disse que, na manhã de ontem, não havia oxigênio para nenhum dos pacientes.

Cyrino conta que o filho, de 36 anos, começou a se sentir mal há quase duas semanas, mas logo no início não achou vaga em hospital e ficou em ‘home care’, por isso ele tinha oxigênio. “Isso aqui é uma praça de guerra. E esse governo irresponsável não se planejou para a guerra, apesar de saber que ela iria ocorrer”, disse.

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