Minoria disputa a corrida eleitoral, aponta Tribunal Superior Eleitoral

Maioria dos postulantes aos cargos majoritários é do sexo masculino, branco, com Ensino Superior completo, idade entre 50 e 54 anos e empresário, segundo os dados do TSE

Manaus – As vagas para as eleições majoritárias (governador e senador) e proporcionais (deputado federal e estadual) no Amazonas serão disputadas por uma maioria de candidatos homens, brancos, com Ensino Superior completo, idade entre 50 e 54 anos e empresários, ou seja, diferente do perfil da maioria da população.

O perfil é semelhante ao do cenário nacional – no qual se inclui a vaga de presidente da República – com diferença da idade: grande parte dos postulantes tem entre 45 e 49 anos. As estatísticas são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgadas após o fim do registro de candidatura, na última quarta-feira (15).

Dos 805 candidatos, 567 são homens, e 238, mulheres, o que corresponde a 70,4% dos registros, contra 29,6% das candidaturas femininas junto ao TSE. (Foto: Roberto Jayme/Divulgação TSE/Arquivo)

No Estado, dos 805 candidatos, 567 são homens, e 238, mulheres, o que corresponde a um número de candidaturas masculinas de 70,4% contra 29,6% de registros femininos junto ao TSE.

Os empresários mantém o posto de ocupação mais frequente entre os candidatos que disputam eleição deste ano no Amazonas com 12,9% dos candidatos ocupando cargos de sócios em empresas, com 104 candidatos. Além de empresário, outras profissões declaradas pelos candidatos, no Amazonas, são: advogado (3,68%), professor de Ensino Médio (3,73%), policial militar (3,48%), deputado (3,23%) e vereador (2,98%).

Outro dado observado nas estatísticas divulgadas pelo TSE nas eleições de 2018 é que a maioria dos candidatos do Amazonas (489) é parda, o que corresponde a 60,75% do total. Em contrapartida, apenas 12 candidatos são indígenas no Estado com a maior população de índios do País, chegando a uma porcentagem de 1,9% do total. As estatísticas também apontam 28,94% de postulantes brancos (233), 7,83% pretos (63) e 0,5% amarelos (4).

Em relação à idade, a maioria dos candidatos no Amazonas tem entre 40 e 44 anos, o que corresponde a um total de 19,13% de concorrentes para uma das esferas do Executivo e Legislativo em âmbito estadual. Os postulantes com idade entre 50 e 54 anos representam 16,15% do total (130). Haverá também quatro candidatos na faixa etária entre 70 a 74 anos.

A maioria dos candidatos do Amazonas que registrou sua candidatura no TSE também tem Ensino Superior completo, nível máximo de educação apontado no site do Tribunal: são 399 candidatos, o que corresponde a 49,57% do total. Em seguida, o nível educacional com mais candidatos no Estado é o Médio completo, com 33,54%. Depois, aparece os com Superior incompleto (7,2%), Fundamental completo (4,6%), Fundamental incompleto (2,48%), Ensino Médio incompleto (2,24%) e que lê e escreve (0,37%), com três candidatos nesta condição.

Sem conexão

Para o coordenador do programa de pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Marcelo Seráfico, os dados isoladamente não representam muito o real perfil dos candidatos. “Não há uma conexão direta, por exemplo, entre a função desempenhada e a defesa de um interesse particular. Não é incomum, por exemplo, na história do Brasil que bacharéis em Direito defendam tanto posições ideologicamente vinculadas ao comunismo, quanto posições ideologicamente vinculadas ao neoliberalismo. O meu perfil profissional é vinculado a posições políticas bem diferentes”, disse.

De acordo com Seráfico, o percentual de candidatos mulheres obriga os partidos a pensarem na representatividade de gênero. “No entanto, não há garantia, em princípio, de que o mero aumento quantitativo de mulheres candidatas, ou mesmo eleitas, significará uma representação progressista, porque este é o sentido de aumentar a participação das mulheres, nas Assembleias ou Governos, a partir das mulheres. A questão é mais qualitativa. Hoje, um exemplo expressivo desta desconexão que, evidentemente, tem várias exceções, há mulheres que defendem votos em candidatos que têm manifestações misóginas. Isto não é incomum: tem um discurso machista em algumas mulheres que postulam representação e que fazem campanha fundadas na questão do gênero”, afirmou.

Minoria disputa a corrida eleitoral

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Posted by D24am on Saturday, August 18, 2018

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