Mouhamad debochava de trabalhadores que manifestavam contra salários atrasados, diz PF

Líder da Maus Caminhos xingava manifestantes em mensagens interceptadas pela Polícia Federal. Segundo a PF, ele tem “grande parcela de responsabilidade” pela caos na saúde no Estado

Manaus – Mouhamad Moustafa “tratava com deboche a situação dos salários atrasados”. Conforme a apuração da Polícia Federal (PF), durante a investigação da operação Custo Político, o médico e empresário tirou uma ‘selfie’ ironizando os manifestantes, enquanto passava por um protesto que pedia o pagamento dos salários atrasados dos médicos, em frente à sede do Governo, em 2015. O médico foi solto pela Justiça Federal no último sábado (23).

Foto enviada por Mouhamad no momento que passava por uma das manifestações (Foto: Reprodução)

A foto foi enviada para a advogada Priscila Marcolino Coutinho, também acusada de participar do esquema criminoso. Na mensagem, Mouhamad xingou os manifestantes com palavras de baixo calão.

“Assim, diante manifestação realizada por servidores com salários atrasados, MOUHAMAD envia mensagens, fotos e até um vídeo debochando do protesto, quando passava pelo local”, diz o trecho do inquérito que a REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) teve acesso.

O investigado como chefe de uma organização criminosa que desviou mais R$ 110 milhões da saúde do Estado, alegava não ter dinheiro para pagar sua folha de pagamento, mas, segundo a apuração da PF, honrava pagamentos de até R$ 200 mil para outros compromissos com um amigo identificado somente como Silvio pela Polícia Federal.

“Meus coordenadores eu não vou ter como honrar a folha no quinto dia útil e nem o vale transporte e alimentação, que dá algo em torno de 1.300.000 (R$1,3 milhão), pois não tenho nem de onde recorrer, mas esse seu de 200 (mil) vai amanhã sem falta”, afirmava o médico nas mensagens interceptadas pela PF.

A PF conclui ainda que, “com grande parcela de responsabilidade” pela caos na saúde no Estado, o médico preferiu tratar dos seus problemas de saúde em São Paulo, com médicos como Roberto Kalil, responsável pela operação do presidente Michel Temer. No inquérito, a PF apurou que foram transferidos para o pagamento do tratamento R$ 4 mil.

“Nesse sentido, quando precisa utilizar os serviços de saúde, Mouhamad vai para a capital paulista buscando tratamento de qualidade, vez que dispõe de recursos financeiros para contratar profissionais de alto padrão”, cita a PF no inquérito.

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Quatro já foram soltos

O médico Mouhamad Moustafa, acusado de comandar um esquema criminoso que, segundo o Ministério Público Federal (MPF), desviou mais de R$ 100 milhões do Estado; o ex-secretário da Casa Civil do governo José Melo, Raul Zaidan; Keytiane Evangelista de Almeida e José Duarte dos Santos Filho segundo informou a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), com base na decisão do juiz federal substituto, Wendelson Pereira Pessoa, que indeferiu, ainda na noite desta sexta-feira (22), o pedido de prisão preventiva dos quatro envolvidos na operação ‘Custo Político’, deflagrada pela Polícia Federal (PF), na última semana.

Moustafa, assim como os demais, teve a prisão preventiva negada e agora responderá o processo em liberdade. A informação também foi confirmada pela advogada de defesa do médico, Simone Guerra. Moustafa, Zaidan e José Duarte estavam presos no Centro de Detenção Provisória de Manaus (CDPM), enquanto Keytiane estava no Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF).

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