Mourão: governadores da Amazônia serão ouvidos sobre desenvolvimento sustentável

O vice-presidente da República visitou, nesta segunda-feira, as instalações do Centro de Biotecnologia da Amazônia

Manaus – O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou, nesta segunda-feira (17), que os governadores da Região Amazônica serão ouvidos sobre as propostas de desenvolvimento sustentável que serão apresentadas no âmbito do Conselho da Amazônia.

O vice-presidente esteve nesta segunda-feira no Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), na zona sul de Manaus, e, além de falar à imprensa, visitou laboratórios de pesquisas desenvolvidas no local.

Em janeiro, o presidente Jair Bolsonaro revelou que o vice será o coordenador do conselho e responsável por organizar ações entre ministérios para “proteção, defesa e desenvolvimento sustentável da Amazônia”.

“Ninguém está excluído (do Conselho). O mote da criação do conselho é porque o presidente Bolsonaro chegou à conclusão que o Conselho estava muito disperso, não há um integração de trabalho, não há controle (…) O Conselho tem que reunir os organismos federais, colocar comando, controle, comunicação, de modo que todos falem a mesma linguagem”.

Mourão afirmou que, neste primeiro momento, está conversando com todos os ministérios e fazendo visitas aos governadores. “Uma vez juntadas todas os dados, a minha equipe vai fazer um planejamento e chamar todos os integrantes do Conselho. Vamos chamar os governadores e vamos executar (o que foi planejado). Temos três vetores: proteção, preservação e desenvolvimento”.

De acordo com Mourão, as bancadas federais dos estados da Amazônia também terão papel fundamental na operação do Conselho.

“Eu tenho meus contatos com todos os representantes das bancadas, vamos conservando e trocando ideias, buscando sintonia fina e fazendo ajustes daquilo que é o melhor. Mais uma vez temos que deixar claro: não é de Brasília que vamos estabelecer uma política sem conversar com quem está no terreno. A grande tarefa do conselho é se conectar à realidade e não fazer as coisas no papel, porque no papel já tem muita coisa que não ‘andou’”, afirmou.

Questionado sobre reunião que teve, ainda nesta segunda, com o governador Wilson Lima (PSC), Mourão disse que o encontro foi de temas como os gargalos econômicos do Estado, a questão social com a concentração da população do Amazonas em Manaus, assim como a importância do desenvolvimento da ciência e tecnologia.

Segundo Mourão, as propostas do governo consideradas polêmicas, como a liberação de terras indígenas para exploração, poderão sair do Congresso diferentes da proposta original (Foto: Yago Frota/GDC)

Sobre as propostas polêmicas apresentadas pelo governo Bolsonaro de plantar cana de açúcar na Região Amazônica e a possibilidade de liberar a mineração em terras indígenas, o vice-presidente falou que estas serão discutidas pelo Congresso Nacional e poderão sair de lá diferente da proposta original apresentado pelo governo federal.

Mourão visitou áreas de pesquisas do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) e conheceu estudos para geração de novos produtos por meio de parcerias com indústrias e centros de ensino.

Conselho

O presidente Jair Bolsonaro informou, ainda em janeiro, por meio de uma rede social, que determinou a criação do Conselho da Amazônia e de uma Força Nacional Ambiental, que atuará na “proteção do meio ambiente da Amazônia”.

O anúncio ocorreu após o governo brasileiro, e o próprio Bolsonaro, serem alvos de críticas, inclusive internacionais, pela atuação na área ambiental.

Bolsonaro informou na publicação que o vice-presidente Hamilton Mourão será o coordenador do conselho, que deverá organizar ações entre ministérios para “proteção, defesa e desenvolvimento sustentável da Amazônia”.

“Determinei a criação do Conselho da Amazônia, a ser coordenado pelo Vice Presidente @GeneralMourao, utilizando sua própria estrutura, e que terá por objetivo coordenar as diversas ações em cada ministério voltadas p/ a proteção, defesa e desenvolvimento sustentável da Amazônia”, escreveu Bolsonaro.

“Dentre outras medidas determinadas está também a criação de uma Força Nacional Ambiental, à semelhança da Força Nacional de Segurança Pública, voltada à proteção do meio ambiente da Amazônia”, acrescentou.

O presidente, contudo, não informou o custo para criação da força. Bolsonaro ainda afirmou que Mourão é a “melhor pessoa” para dar detalhes sobre a força e o conselho.