Mourão reconhece ‘erros’ na Amazônia

O vice-presidente disse não querer “esconder nada”, e, em seguida, frisou que os problemas ambientais “não atingem a extensão de dano que, às vezes, é colocado”, concluiu

Manaus – O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou, nesta quinta-feira (5), que o governo federal conhece os erros que existe no País e as ilegalidades cometidas no território brasileiro em relação ao meio ambiente. “Não estou aqui para esconder nada”. Em seguida completou dizendo que estes problemas “não atingem a extensão de dano que, às vezes, é colocado”. As declarações foram dadas em entrevista concedida no Comando Militar da Amazônia (CMA), em Manaus, e diante de representantes diplomáticos de países que visitam a região à convite do governo brasileiro. Entre os presentes estavam representantes da União Europeia, Alemanha, Canadá entre outros.

A visita é uma tentativa da gestão Bolsonaro em melhorar a imagem do País, manchada pelas informações de desmatamento e queimadas que, neste ano, afetam, a região Amazônica e o Pantanal.

A visita é uma tentativa da gestão Bolsonaro em melhorar a imagem do País no exterior (Foto: Divulgação/Sd Filho-CMA)

Segundo Mourão, os representantes tiveram liberdade para questionar assuntos relativos a região. “Os embaixadores tiveram toda liberdade para fazer as perguntas necessárias e para levantar seus pontos de vista das nações que eles representam”.

Tema abordado na entrevista foi a prioridade em visitar a região norte do Estado onde, em geral, há poucas áreas desmatadas em comparação com cidades como Apuí e Lábrea, no sul do Estado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Até o presente momento, nós já apagamos mais de 7.600 queimadas. É um jogo de ‘gato e rato’ e isto só vai terminar quando conseguirmos solucionar os outros problema que levam a pessoas usem este processo (o desmatamento) para pastagens, garimpo ou exploração de madeira. Quando conseguirmos remover as causas, conseguiremos vencer esta batalha”, frisou.

O vice-presidente falou ainda sobre valorização do potencial turístico do Estado e citou a cidade de São Gabriel da Cachoeira, que será visitada nesta sexta-feira, 5. “Pelas características daquela região (São Gabriel), ali seria um polo de atração turística, desde que houvesse a infraestrutura necessária para acolher viajantes. Não resta nenhuma dúvida. Em relação a isto, o governo – seja federal ou estadual – deve ser um facilitador, um indutor e criar as condições como segurança, saúde e transporte para que a iniciativa privada use sua capacidade de empreender para atrair as pessoas, não só de outros países, mas do próprio Brasil”, afirmou.

Questionado sobre a relação com eventual governo do Democrata Jon Biden, nos Estados Unidos, a partir do próximo ano, o vice-presidente minimizou possíveis atritos por causa dos problemas ambientais no Brasil.
“Não estou preocupado se o Biden vai vencer as eleições americanas. Nossa relações com os Estados Unidos é uma ligação de Estado para Estado e data desde a nossa independência. Temos muitos fatores comuns, mas, cada um tem que buscar os seus interesses. Algo que é básico em diplomacia é o benefício mútuo e sei que os Estados Unidos também agirá desta maneira”, disse.

Ao fim da coletiva, o embaixador da África do Sul, Joseph Mashimbye, comentou a visita e cobrou mais diálogo do governo federal com outros países. “As mudanças climáticas e as consequências a elas relacionadas só podem ser contempladas quando nos envolvermos em uma interação direta, inclusiva e transparente, e quando honrarmos nossos compromisso mútuos e quando nossas responsabilidades diferenciadas forem cumpridas, tanto entre países desenvolvidos quanto em desenvolvimento”, afirmou.

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