‘Não recebi e-mail nenhum’, diz Pazuello sobre solicitação de oxigênio pelo Governo do AM

Eduardo Pazuello disse que só foi comunicado sobre uma possível falta de oxigênio no Amazonas na noite do dia 10 de janeiro

Manaus – Em depoimento à CPI da Pandemia do Senado, nesta quarta-feira (19), o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que só foi comunicado sobre uma possível falta de oxigênio no Amazonas na noite do dia 10 de janeiro, em uma reunião com o secretário de Saúde do Estado, em Manaus.

Respondendo à questionamentos da senadora Eliziane Gama (Cidadania/MA), Pazuello relatou que o secretário de Saúde do Amazonas ligou para ele na noite do dia 7 de janeiro, questionando a possibilidade de auxílio no transporte de cilindros de oxigênio de Belém (PA) para o interior do Amazonas. Na ligação, em nenhum momento foi citada a falta do insumo.

“Na mesma noite eu liguei para o Ministério da Defesa e foi feito o transporte no dia seguinte. Em momento algum na ligação foi feita qualquer observação sobre colapso de oxigênio. No dia 8, durante expediente, determinei que fossemos para Manaus, não pela falta de oxigênio, mas pela crise de Saúde. Embarcamos no domingo, dia 10. Não sabia nem o que eu ia encontrar em Manaus”, afirmou o ex-ministro.

Pazuello descreveu o itinerário em Manaus e disse que a primeira reunião com Governo do Amazonas aconteceu ainda na noite do dia 10. Foi nesse encontrou que o então ministro da saúde foi informado sobre a falta de oxigênio para pacientes internados com o coronavírus. “Antes não havia solicitação de oxigênio algum. Na noite de domingo, dia 10, foi a primeira vez que fui comunicado sobre a falta de oxigênio. Eu não recebi e-mail nenhum”, disse Pazuello.

Episódio que provocou a abertura de um inquérito em que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello é investigado, a crise vivida pelo Amazonas no início do ano também foi comentada por Pazuello em sua fala inicial à CPI da Covid, assim como a compra de vacinas contra a Covid-19 – outro alvo de críticas da gestão do general.

Segundo ele, o que aconteceu em Manaus foi a conjunção de dois fatores: surgimento de uma “nova e mais agressiva” variante do vírus e o colapso da rede de saúde, “o que resultou em milhares de mortes em curto espaço de tempo”, disse ele.

Pazuello buscou fazer uma defesa de sua atuação no caso, afirmando que ainda em dezembro “se antecipou” à crise, quando foram deslocados integrantes da Saúde para o local. “Prestamos todo o apoio possível”, afirmou. “Crise de Manaus nos fez montar a maior operação de logística da história”.

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