O.S. investigada no Rio de Janeiro pode operar no Amazonas

Operação deflagrada pelo MP do estado carioca investiga desvio de milhões por Organização Social (O.S.) habilitada pelo governo Wilson Lima, a firmar contratos no Estado

Manaus –  A Organização Social (O.S.) citada em esquema de corrupção pelo Ministério Público do Rio de Janeiro foi habilitada pelo governo Wilson Lima para firmar contratos de gestão no Amazonas. No estado carioca, as investigações apontam esquema envolvendo compra de respiradores para atender doentes de Covid-19.

Em decreto publicado no Diário Oficial do Estado do Amazonas, no último dia 29 de abril, assinado pelo próprio governador Wilson Lima e demais secretários, é autorizado o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) a oferecer serviços ao governo. Chama atenção, que três semanas antes –   mais precisamente, no dia 13 de abril – o próprio governo havia negado a habilitação à O.S. juntamente com outras três organizações.

Leia o indeferimento na íntegra

Leia deferimento parte 1

Leia deferimento parte 2

Na última quinta-feira (7), uma operação com apoio do Ministério Público do Rio de Janeiro prendeu o ex-subsecretário de Saúde daquele Estado, Gabriel Neves, e mais três pessoas suspeitas de terem obtido vantagens na compra emergencial de respiradores para pacientes de Covid-19.

Gabriel Neves foi exonerado pelo governador do Rio, Wilson Witzel, por suspeita de irregularidades – os contratos questionados somaram R$ 1 bilhão, entre compra sem licitação de respiradores, máscaras e testes rápidos.

Entre as ações do subsecretário, aparecem como suspeitas a montagem dos hospitais de campanha pelo Instituto de Atenção Básica Avançada à Saúde (Iabas). Reportagem exibida pelo jornal carioca ‘RJ2’, afirma que o governo do Rio de Janeiro gastou R$ 1 bilhão para fechar contratos emergenciais, sem licitação, para o combate do Covid-19. A maior parte deste dinheiro, quase R$ 836 milhões, seria destinada para a Iabas.

Em vídeo divulgado na internet, o deputado federal do Rio de Janeiro, Otonio de Paula (PRTB), afirma que uma “mesma quadrilha formada para desviar recursos públicos se instalou no Rio de Janeiro e no Amazonas”.

O esquema levou a prisão do ex-subsecretário de Saúde do Rio de Janeiro (Foto: Divulgação/Secom)

“É a mesma quadrilha de contratos superfaturados na área da Saúde. O governador Wilson Lima é do mesmo partido do governador Wilson Witzel. O mesmo grupo que comanda a Saúde no Amazonas – que também está superfaturando tudo lá – comanda a Saúde no Rio de Janeiro. Se a Policia Federal colocar a mão no grupo do Amazonas, vai colocar a mão do grupo no Rio de Janeiro”, disse.

O parlamentar federal também destacou que no Amazonas, a Assembleia Legislativa (ALE-AM) teve “coragem” de abrir processo de impeachment contra o governador.

Procurado pela reportagem, o deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) afirmou que a denúncia é muito grave. “Esta entidade foi desclassificada e, depois, que ninguém sabe os critérios, foi habilitada pelo próprio governo. E para coroar todo este contexto é uma entidade que está acusada de participação em uma máfia que gerou até prisões no Rio. Eu cobro e já estou providenciando informações do governo e tenho certeza que os demais órgãos de controle também irão cumprir o seu papel”, afirmou.

O.S. investigada no RJ é habilitada por governo do AM

O.S. investigada no RJ é habilitada por governo do AM. #D24AM

Posted by D24am on Saturday, May 9, 2020