Operação da PF atinge Governo Wilson Lima

Operação Sangria prende cinco, incluindo o ex-secretário de Saúde Rodrigo Tobias e Gutemberg Alencar, nome de confiança do governador, que “tinha domínio das ações” diz PGR e revela acerto contra cassação

Manaus – Articulações envolvendo a deputada estadual Alessandra Campelo (MPD), membros do primeiro escalão do Executivo Estadual e ex-secretário da Secretaria de Estado de Saúde (SES) foram responsáveis por ‘assar a pizza’ que engavetou o processo de impeachment do governador Wilson Lima.

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Segundo inquérito da Polícia Federal, uma reunião em 20 de maio selou acordo que levou Alessandra Campelo a presidência da Comissão Especial do Impeachment na Assembleia Legislativa do Estado (ALE). O encontro contou com a presença do vice-governador Carlos Almeida Filho. Na presidência, a deputada da base aliada articulou junto a demais parlamentares e livrou Wilson Lima do impeachment.

Alessandra Campelo presidiu a Comissão Especial do Impeachment (Foto: Divulgação / Alberto César Araújo – ALE)

As informações constam da decisão emitida no último dia 2, que deflagrou a segunda fase da Operação Sangria, realizada nesta quinta-feira, 8, que levou a prisão de cinco responsáveis por desvios de recursos na área da Saúde.

O inquérito cita ainda que no mesmo mês em que ocorreu a reunião, o primo da Alessandra foi nomeado no cargo de secretário de Estado de Saúde.

Quanto aos encontros, o Ministério Público Federal (MPF) destaca que as reuniões não ocorreram, em prédios oficiais, “Causa estranheza, o fato do vice-governador não se valer dos edifícios oficiais para esses encontros. Esse aspecto, prima facie, levanta suspeitas sobre os propósitos das reuniões, segurindo que a intenção do investigado seja esconder a ocorrência dos mesmos”, consta no relatório.

Operação

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (7), desdobramento da Operação Sangria, que investiga casos de corrupção da Saúde do Amazonas. Dentre os alvos da operação, estão nomes ligados ao governo Wilson Lima.

Há mandados de prisão expedidos em nome de Rodrigo Tobias (ex-secretário de Saúde do Amazonas), Dayana Priscila Mejia de Souza, Ronald Gonçalo Caldas Santos, Gutemberg Leão Alencar e Luiz Carlos Avelino Junior.

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(Foto: Divulgação)

A segunda fase da Operação Sangria consiste no cumprimento de 5 mandados de prisão temporária e de 9 de busca e apreensão na cidade de Manaus. O trabalho conta com a participação de 8 servidores da CGU e de policiais federais.

A operação conta com apoio do Ministério Público Federal (MPF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), por meio da qual são investigados fatos relacionados a possíveis práticas de crimes, como pertencimento a organização criminosa, fraude à licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.

Ainda nesta quinta, os presos foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória de Manaus (CDPM).

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