Operação da PF mira ‘cúpula’ e Wilson Lima por desvios na saúde

Operação deflagrada na quarta-feira (2) pela Polícia Federal em Manaus mira indícios em processo de dispensa de licitação para contratação da Fundação Nilton Lins, diretamente pelo governador

Manaus – Organização criminosa apontada por desviar recursos da Saúde no Amazonas continuou a agir mesmo após operações deflagradas pela Polícia Federal (PF) no Estado para coibir crimes. É o que aponta o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Francisco Falcão ao determinar a deflagração, na quarta-feira (2), da quarta fase da Operação Sangria que mirou membros da cúpula do governo do Estado e do próprio governador Wilson Lima.

Buscas Nas primeiras horas da manhã o governador Wilson Lima recebeu a “visita” de membros da PF na sua residência (Foto: Márcio Azevedo / Semcom)

A determinação atende denúncia da Procuradoria Feral da República (PGR) que aponta irregularidades em processo de dispensa de licitação para contratação da Fundação Nilton Lins, “montado com data retroativa e feito diretamente pelo governador Wilson Lima”. Na quarta-feira (2), foram cumpridos seis mandados de prisão e 19 de busca e apreensão.

Trecho da decisão do ministro expõe a ousadia dos acusados: “O que é mais impressionante, a atuação criminosa não cessou mesmo após a intensa e frequente atuação dos órgãos de persecução criminosa no combate aos delitos praticados durante a pandemia de Covid-19, no ano de 2020, na denominada ‘Operação Sangria’. O esquema criminoso perdura ainda no ano de 2021, demonstrando a contemporaneidade dos fatos apurados”.

Nas primeiras horas da manhã, Wilson Lima recebeu a “visita” de membros da Polícia Federal na sua residência, em um condomínio de luxo na Avenida Efigênio Sales, zona centro-sul de Manaus. Ao sair do local, os agentes levavam farto material que devem subsidiar as investigações.

Para Falcão, o governador está ligado diretamente às acusações. “A atuação dos agentes públicos, dentre eles o principal gestor da Unidade da Federação (governador Wilson Lima) afronta os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Os crimes estão ligados ao exercício funcional, praticados no desempenho dos cargos e com abuso deles, causando enorme prejuízo à sociedade amazonense”, cita Falcão.

Outro alvo de operação, o secretário de Estado de Saúde Marcellus Campelo foi preso na tarde de ontem, assim que pousou no Aeroporto Eduardo Gomes em Manaus. Ele estava em viagem fora do Estado e retornou assim que soube do mandado de prisão contra ele. Policiais federais o aguardavam no aeroporto e o conduziram até a superintendência da PF, onde ele foi formalmente preso.

Fato inusitado foi o empresário Nilton Lins Júnior, preso pela Polícia Federal, ter recebido os agentes da PF com tiros porque pensou que os mesmos se tratavam de assaltantes. Ele também foi preso e encaminhado a sede da PF.
Pressionado pela operação, o presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz (PSD-AM), comunicou aos colegas que o depoimento do governador Wilson Lina (PSC), à comissão foi antecipado para a próxima quinta-feira (10). O pedido de adiantar a oitiva foi feito pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO), no início da sessão.

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