Prefeito e vice de Manicoré têm mandato cassado por compra de votos, no AM

Manuel Sebastião P. de Medeiros (PSD) e Jeferson Colares Campos (Pros) foram denunciados por crimes eleitorais de abuso de poder econômico e compra de votos na eleição de 2016

Manaus – Manuel Sebastião Pimentel de Medeiros (PSD), conhecido como ‘Sabá’, e Jeferson Colares Campos (Pros), prefeito e vice-prefeito de Manicoré (a 332 quilômetros a sudoeste de Manaus), tiveram o mandato cassado por unanimidade, nesta quinta-feira (20), durante sessão ordinária do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM). Com a cassação, Sabá e Jeferson ficam inelegíveis por oito anos.

A dupla foi denunciada por crimes eleitorais de abuso de poder econômico e compra de votos na eleição de 2016. Por participação nos crimes eleitorais na campanha do mesmo ano, em apoio aos seus candidatos, o ex-prefeito Lúcio Flávio do Rosário (PV) e o vereador Joaquim Rodrigues Ribeiro também foram condenados à perda dos direitos políticos por oito anos.

A relatora, juíza federal Ana Paula Serizawa, negou os recursos do prefeito e do vice, e teve seis votos seguidos pelos demais no Pleno do Tribunal. Novas eleições devem ser marcadas depois que a sentença transitar em julgado, ou seja, quando não houver mais possibilidade de recurso a instâncias superiores da Justiça Eleitoral.

Vale lembrar que Sabá e Campos já tiveram o mandato cassado logo após as eleições do decorrente ano. Eles foram alvos de Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) ajuizada pela coligação derrotada de Mário Lacerda (MDB) e pelo PT (Partido dos Trabalhadores) em 2016.

A decisão foi do juiz eleitoral da cidade, que alegou existir “provas mais do que suficientes para condená-los”. Recursos protelatórios da defesa do prefeito e vice conseguiram levar o julgamento do caso até este ano, dos dois processos que foram relatados pela juíza.

Indícios

O advogado Marcos Ferreira, da coligação que representou contra Sabá, Campos e Lúcio Flávio, disse que são fartas as provas de compra de votos e coação de eleitores. As informações são do portal ‘Folha de Manicoré’.

Ainda segundo o advogado, outra denúncia dava conta que Lúcio Flávio usava um benefício municipal, o ‘Bolsa-Bacurau’, no valor de R$ 100 mensais, como moeda de troca na compra de votos para Sabá.

“Nas audiências, as testemunhas explicaram como ocorreram a fraude ao sistema eleitoral realizadas pelo prefeito eleito juntamente com o ex-prefeito Lúcio Flávio. Eles ofereciam desde emprego na prefeitura a dinheiro em espécie, além de motor de luz, pagamento de prestação e de uma folha em que eleitores receberam por mais de ano valores mensais de trezentos reais sem contraprestação alguma. Apenas por apoio político”, disse.