Quando elas dominam e superam barreiras

Seja na política ou em cargos de chefia na administração pública do Amazonas, as mulheres conquistam cada vez mais espaços e são responsáveis por decisões que afetam toda a população

Manaus – “Nada é dado. Tudo é conquistado”, diz a advogada e presidente da Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas (OAB-Amazonas), Maria Gláucia Soares, sobre as conquistas e lutas pelos direitos das mulheres na sociedade. Para a advogada, que também é integrante da Comissão Nacional da Mulher Advogada, ainda é necessário, de modo geral, trabalhar a questão do patriarcado com a cultura tradicionalista, que é secular, para diminuir a desigualdade entre os gêneros.

A advogada amazonense Maria Gláucia Barbosa foi nomeada pela segunda vez integrante da Comissão Nacional da Mulher Advogada OAB Federal (Foto: Divulgação/OAB-AM)

Segundo Maria Gláucia Soares, o que marca as mulheres são as diferenças fisiológicas. “A mulher, eminentemente, tinha um papel para o lar, para a família, e isso vem sendo desconstruído porque já não se fala mais na mulher na invisibilidade. Ela é protagonista da sua história e, para isso, o Brasil tem estabelecido diversas políticas públicas, que são chamadas políticas afirmativas, voltadas para as mulheres, para justamente garantir a diminuição dessas desigualdades”, diz.

Ainda de acordo com a advogada, a figura feminina vem perdendo a imagem de que, tradicionalmente, as mulheres eram destinadas aos afazeres domésticos e passam a conquistar sua independência financeira.

“A profissional, por mérito, tem se destacado e ocupado cargos, e isso vem se refletindo nas diversas esferas privadas e nas públicas. As mulheres estão à frente de cargos que eram ocupados por homens, pois possuem o perfil de meritoriedade para assumi-los de forma competente”, destaca.

Política

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 52,63% do eleitorado brasileiro é do sexo feminino. Para a advogada Maria Gláucia Soares, este dado deveria refletir, também, quanto à ocupação das mulheres no parlamento.

“Isso deveria refletir nos espaços políticos de que as mulheres também deveriam ser 50% daquelas que ocupam as cadeiras no parlamento. O que nós queremos é a paridade, para que as mulheres possam falar sobre elas. Lutamos para que as mulheres tenham voz, e elas próprias sabem dizer o que querem e o que é melhor para elas. Então, a representatividade feminina se faz necessária”, pontua.

Para a deputada estadual Therezinha Ruiz (PSDB), historicamente, no País, a política é um espaço predominantemente dominado pelos homens. O processo de mudança dessa realidade ainda é lento, mas já se pode observar um maior ativismo das mulheres em vários campos de atuação na sociedade.

“Hoje as mulheres estão participando mais da política, ganhando expressão no papel de liderança, de articulação e de interlocução, nos espaços de poder. E isso é bom para a democracia, afinal, é uma afirmação do direito de participação das mulheres na vida pública, no cenário político”, ressalta.

Na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE), dos 24 deputados apenas quatro são mulheres, o que representa somente 16,6% do parlamento. Apesar de ser um número pequeno, Therezinha Ruiz destaca a participação feminina na bancada amazonense.

“Eu considero essa participação feminina um avanço, quando observamos a qualidade nos projetos apresentados pela nossa bancada, especialmente aqueles que garantem direitos sociais às mulheres, crianças e adolescentes, idosos e pessoas com deficiência. As mulheres têm firmeza e sensibilidade para defender as boas causas da sociedade”, afirma.

De acordo com a deputada, a sociedade brasileira ainda é muito machista e o preconceito contra as mulheres também é forte no meio político, principalmente na estrutura partidária, onde os cargos de direção são sempre ocupados por homens.

Instituições

A procuradora-geral do Ministério Público do Amazonas (MPE), Leda Mara Albuquerque, é a segunda mulher a ocupar o cargo na história do Estado. Para ela, o maior protagonismo feminino na instituição é a atuação nos órgãos de execução.

“Nós temos mulheres muito corajosas, destemidas, à frente de órgãos de execução, lidando com matérias que são extremamente complexas, perigosas, que, inclusive, colocam em risco a vida das nossas promotoras e procuradoras de Justiça com atuação nessas frentes. Agora, para nós, o mais importante, para além desse protagonismo institucional, é garantirmos o protagonismo da mulher na sociedade”, reitera.

A conselheira Yara Lins, que presidiu o Tribunal de Contas do Amazonas (TCE) no biênio 2018-2019, fala sobre as dificuldades que todas as mulheres encaram diariamente, conciliando o lar, a função de mãe e, ao mesmo tempo, as funções profissionais.

“Acredito que tive e, graças a Deus, venho tendo sucesso nessa divisão de tarefas. No mais, registro que em meu trabalho sempre tive o respeito e consideração de meus pares”, comenta.

Sobre o espaço da mulher em cargos públicos, a conselheira pontua que o Estado vem presenciando uma nova fase, em que as mulheres vêm alcançando os mais altos postos na administração pública.