‘Querem me julgar por corrupção? vão se dar mal’, diz Bolsonaro sobre Covaxin

Segundo o presidente, a Covaxin não foi comprada pelo governo brasileiro e o documento apresentado feito de forma equivocada

Brasília – Em agenda em Sorocoba (SP) nesta sexta-feira (25), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu o governo no caso da aquisição de vacina Covaxin contra a Covid-19. Segundo ele, não houve superfaturamento no processo e aqueles que o acusarem de corrupção “vão se dar mal”.

‘Querem me julgar por corrupção? vão se dar mal’, diz Bolsonaro. (Foto: Divulgação)

“Olha, o contrato, pelo que me consta, não tem nada de errado nele. Não há superfaturamento, é mentira. Vou ver o Queiroga [Marcelo Queiroga, ministro da Saúde], pra ver qual é a opinião dele, mas não foi gasto um centavo com a Covaxin, não chegou uma ampola aqui. Vocês querem me julgar por corrupção? Vão se dar mal! Eu sou incorruptível, além de imbrochável. Vou levar porrada a vida toda e sou imbrochável.”

Na quarta-feira (23), o deputado Luís Miranda (DEM-DF), aliado do presidente desde a campanha de 2018, denunciou irregularidades no processo de negociações da vacina produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech.

“O próprio laboratório indiano fala que o preço tá na média dos outros três países que tinham contrato com eles. Vocês querem imputar a mim um crime de corrupção, [com algo em] que não foi gasto um centavo. Porque estamos há dois anos e meio sem corrupção, porque temos órgãos que funcionam, como, por exemplo, a CGU”, prosseguiu Bolsonaro, em entrevista à imprensa nesta sexta.

O presidente está no interior de São Paulo, onde participa de cerimônia de inauguração do Centro de Excelência em Tecnologia 4.0.

Compra da Covaxin

Segundo o presidente, a Covaxin não foi comprada pelo governo brasileiro, e o documento apresentado pelo deputado Luis Miranda foi feito de forma equivocada e em seguida corrigido.

“No dia seguinte, pelo que fiquei sabendo, era um documento que tava feito de forma equivocada, faltava um zero lá, de 300 mil doses eram 3 milhões, foi corrigido no dia seguinte. Há quatro meses, eu falei com ele [Luis Miranda], no passado, foi lá e falou um montão de coisa, como recebo de uma infinidade de pessoas que eu não conheço, 99% eu não conheço. Tem algum recibo meu pra ele? Foi consumado o ato?”, questionou.

Apesar de o governo negar a compra da vacina Covaxin, o site do Ministério da Saúde mostra que o dinheiro para a aquisição está reservado.

A compra de 20 milhões de doses consta no calendário oficial de entregas para 2021. A vacina indiana está no cronograma desde 17 de fevereiro. Ao todo, o governo espera desembolsar R$ 1,6 bilhão com as doses.

O contrato de aquisição da Covaxin virou o centro de uma polêmica após suspeitas de superfaturamento no preço proposto pela empresa fabricante. O caso também é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF).

O deputado Luis Miranda e o irmão, Luis Ricardo Fernandes Miranda, servidor do Ministério da Saúde que relatou pressões no processo de aquisição do imunizante, foram ouvidos nesta sexta-feira (25) pela CPI da Covid.

“Olha a vida pregressa desse deputado. É lógico que vai abrir inquérito”, disse o presidente ao ser questionado se a Polícia Federal (PF) vai investigar o parlamentar.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, havia adiantado na quinta-feira (24) que o governo federal vai encaminhar à Polícia Federal (PF) um pedido de perícia em documentos trocados entre o Ministério da Saúde e a empresa Bharat Biotech, como informou o Metrópoles.

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