Sem 13º, Wilson frustra servidores do Estado

O governador anunciou não ter dinheiro para cumprir o histórico pagamento do benefício que foi honrado em gestões anteriores, incluindo o período da maior crise econômica do País

Manaus – A gestão do governador Wilson Lima ainda não se acertou com os números e deixou os servidores com as mãos vazias. Quarenta e cinco dias após o governador prometer pagar a primeira parcela do 13º salário no final de julho, o próprio governador voltou atrás e anunciou não ter dinheiro para cumprir o histórico pagamento do benefício que foi honrado em gestões anteriores, mesmo no período da maior crise econômica do País.

Falta de pagamento acirra os ânimos de servidores contra o governo dias antes de assembleia contra o congelamento de salários e promoções (Foto: Divulgação/Asprom-Sindical)

O desencontro de informações foi mal recebido pelos servidores. As categorias, que estão com assembleia marcada para o próprio sábado (3) contra o congelamento de salários e interrupção de promoções, preveem maior adesão dos servidores com o anúncio.

A presidente do Sindicato dos Professores e Pedagogos das Escolas Públicas do Ensino Básico de Manaus (Asprom-Sindical), Helma Sampaio, afirmou que o anúncio causou revolta nos profissionais da educação.

“A categoria recebeu este anúncio com estranhamento e insatisfação porque estávamos na expectativa de receber a primeira parcela do 13ª agora, porque isto já vem de outros anos, até porque as pessoas este adiantamento é bom também à economia ao injetar dinheiro na comércio local e dá poder de consumo”, disse.

Helma citou, ainda, que até o momento, o governo do Estado não apresentou uma justificativa “plausível” para a falta de depósito da primeira parcela, no final de julho. “O estranho é que o pagamento havia sido anunciado, e causou decepção a quem já contava com este dinheiro. As pessoas se programam e, hoje, estão frustradas”, frisou.

Já a presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Patrícia Sicchar, disse que a atual gestão já possui costume de não cumprir suas promessas. “Falam uma coisa e fazem outra, isto é frustrante. Muita gente já adiantou o décimo após ele (governador) dizer que iria pagar e estes funcionários ficam numa situação bem difícil. Houve também o decreto congelando nossas progressões e reajuste”, disse.

Segundo Patrícia, o governo “conseguiu a proeza de unir todos os funcionários públicos contra ele. Estamos muito descontentes. Iremos fazer uma assembleia no próximo sábado e iremos paralisar, se continuar nestes termos, não tem mais negociação com o governo, não!”, frisou.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam) também fez coro a insatisfação. “O não pagamento do 13° em julho é frustrante para os trabalhadores da educação, que já contavam com esse valor. Muitos fizeram antecipação do 13° no banco e vão ter dificuldade para pagar suas dívidas”, afirmou.

Está marcada para o próximo sábado uma Assembleia Unificada dos servidores públicos do Estado. Na pauta está o pedido de revogação da Lei Estadual 198, a chamada ‘Lei do Congelamento dos Salários dos Servidores’.