Sem doação de empresas, crime pode financiar eleições, alerta William Waack

O jornalista e analista político esteve em Manaus para ministrar palestra ‘O que as eleições mudam na economia brasileira’, na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam)

Manaus – O jornalista William Waack alertou, durante palestra em Manaus, que a proibição de empresas a fazer doações às campanhas eleitorais podem levar o crime organizado a investir na eleição de políticos. Analista político, Waack disse que esta campanha terá a segurança e não a economia como a principal preocupação dos eleitores.

“Ninguém achou bonito a criação do Fundão com dinheiro do contribuinte para financiar campanhas eleitorais. Ou alguém acha que existe campanha política de graça? Nós achamos que a doação pelo CNPJ é uma forma de propina, não o exercício do direito de financiar uma plataforma política. Achamos que é um investimento em troca de um favor mais tarde (…) Pensem quem tem economia, dinheiro em espécie e capilaridade para financiar candidatos: igrejas e crime organizado”, afirmou.

Waack fez uma análise do panorama político para as eleições deste ano (Foto: Divulgação)

Waack esteve na cidade, na última quarta-feira, onde palestrou sobre o tema ‘O que as eleições mudam na economia brasileira’, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam).

Quanto a condenação de Luiz Inácio Lula da Silva, Waack disse que poucas mudanças ocorreram, mesmo com a prisão do ex-presidente. “Um bocado de gente aplaudiu a prisão do ex-presidente Lula e sentiu, de certa, maneira, vingada. Muita gente se sentiu assim. Alguém com uma expressão tão grande quanto a dele, preso. O que mudou de lá para cá? Nós batemos palma para a prisão do Lula, vamos bater palma para a prisão de mais um ou três, vamos solar rojão, outra pessoa pro quem eu tenha raiva particular, e aí?! A gente aplaude, mas mudou o que? Com esta provocação, eu digo que a corrupção é mais um sintoma do que uma causa da situação. Situação que requer o funcionamento do sistema político, do que a gente não quer saber”, afirmou.

O jornalista disse que o sucesso da próxima gestão do presidente da República dependerá do Congresso Nacional. “As regras eleitorais forçam os partidos a criar grandes bancadas no Congresso para garantir acesso ao Fundo Partidário e estas bancadas fortes apontam um governo instável que se tornará refém de bancadas fortes. Já está programado (este cenário), qualquer que seja o vencedor”, afirmou.

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