Senadores do Amazonas apoiam CPI que vai apurar política de preços da Petrobras

Já assinaram a criação da CPI, até o final da tarde de ontem, 29 senadores, entre eles Eduardo Braga (PMDB), Omar Aziz (PSD) e a autora da proposta, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB)

Manaus- Os três senadores do Amazonas apoiam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a política de formação de preços da Petrobras. Atualmente, o valor de diesel, gás e gasolina consideram a flutuação do valor do barril de petróleo no mercado internacional. Já assinaram a criação da CPI, até o final da tarde de ontem, 29 senadores, entre eles os senadores pelo Amazonas Eduardo Braga (PMDB), Omar Aziz (PSD) e a autora da proposta, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB).

Senadores querem transparência da estatal na adoção da política de preços para os derivados. (Foto: Eraldo Lopes)

O senador Eduardo Braga assinou, na manhã de desta quarta-feira (30), o pedido de criação da (CPI) para investigar, no prazo de 30 dias, a nova política de preços da estatal e compreende o período entre junho de 2016 até os dias atuais. “Nós, cidadãos brasileiros, precisamos entender a dinâmica e as minúcias da política de preços instituída nos últimos tempos pela Petrobras. Só tem sobrado para o bolso do consumidor a escalada dos preços da gasolina, do gás de cozinha e do diesel. E por que ocorre isso? A CPI vai, justamente, em busca da resposta dessa pergunta”, afirmou o senador Eduardo Braga.

O senador Omar Aziz anunciou ter assinado o requerimento durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). “Assinei a CPI para que, em 30 dias, nós possamos dar um panorama para a sociedade brasileira dessa caixa-preta que é a Petrobras. O Pedro Parente simplesmente adotou uma política de preços que não beneficia o povo brasileiro, até porque ninguém tem salário dolarizado, pessoas ganham em real e têm que comprar gasolina, gás e diesel em dólar. Isso não é uma política de preço saudável para a nação”, disse Omar Aziz.

Para a senadora Vanessa Grazziotin, a CPI teria funcionamento restrito e estudaria como se processa a construção do preço dos combustíveis e do gás de cozinha, além de analisar a política de desinvestimento da estatal, que tem vendido refinarias e diminuído a capacidade de refino do País. “Vamos abrir a caixa preta e a política de formação de preços. Shell e Ipiranga vão ganhar muito dinheiro com essa política (de subsídio ao diesel) também, pois 25% do óleo diesel comercializado no Brasil são importados. Elas que vão ganhar. O povo terá que pagar com cortes no Orçamento ou outras receitas do governo federal e vão ressarcir as petroleiras estrangeiras “, frisou a senadora.

O requerimento aguarda leitura em plenário e, até as 23h59m do dia em que ocorrer a leitura, podem ser retiradas ou acrescidas assinaturas. Se ao término desse prazo, o requerimento ainda contiver o número mínimo de 27 assinaturas, ele será publicado no Diário do Senado e a CPI será instalada.

Contestação

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), sinalizou que não vai se empenhar na criação dessa CPI. Segundo ele, o melhor caminho é abrir a planilha da Petrobras, por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). “A CPI é um instrumento do Congresso para abrir dados, mas é um instrumento lento, demorado. Nós sabatinamos pessoas para as agências que controlam preços. Essas agências têm que ter uma participação efetiva”, disse.

Segundo ele, é preciso saber, por exemplo, se a planilha é justa, se não há excessos, se os acionistas da Petrobras estão ganhando demais. “Tudo isso não é o que Congresso tem fazer. O Congresso é um órgão fiscalizador que faz e muda leis. Nossa parte fizemos. Tudo aquilo com que nos comprometemos para acalmar o movimento das ruas do ponto de vista das reivindicações, nós fizemos”, afirmou o presidente do Senado.