Sócia da empresa Sonoar quer fazer delação

Empresária Renata Mansour já disse que foi coagida a ‘ficar quieta’; em depoimento para PF, revelou que o médico Luiz Avelino, marido da secretária Daniela Assayag, não poderia aparecer

Manaus – A empresária Renata Mansour, sócia da empresa Sonoar, responsável por vender respiradores pulmonares a uma empresa de vinhos, que os revendeu ao governo do Estado, já estuda fazer colaboração premiada para revelar tudo que sabe sobre eventuais irregularidades na venda dos equipamentos. Renata disse, ainda, que foi coagida a “ficar quieta” porque, segundo ela, o médico Luiz Avelino, marido da secretária de Comunicação do Estado, Daniela Assayag, não poderia aparecer.

A empresária foi presa em São Paulo, durante a Operação Sangria, deflagrada pela Polícia Federal (Foto: Yago Frota/GDC)

As revelações são de uma reportagem da Rede Amazônica, divulgada na noite da última sexta-feira (3). A emissora afirma que teve acesso ao depoimento que a empresária, presa no último dia 30 na Operação Sangria, da Polícia Federal (PF), prestou aos agentes federais, no processo que tramita em segredo de Justiça.

De acordo com a reportagem, Renata “tem interesse em fazer acordo de colaboração premiada para revelar todos os ilícitos que tem conhecimento praticados pela Sonoar. Ela informou que saiu da empresa em janeiro, após vender a sua parte para Luiz Avelino. A empresária mora em São Paulo desde 2019”.

Renata Mansour afirmou que, em uma videoconferência realizada em abril, com Luciane e Luiz Avelino, foi pressionada a ficar “quieta de tudo”, porque o médico não poderia aparecer. “Em um contrato de cessão de cotas de sociedade, mostra Renata vendendo a parte dela da Sonoar a Luiz Avelino, por R$ 250 mil. O documento foi assinado em 12 de dezembro do ano passado”, consta na reportagem.

Segundo acordo de posição contratual, assinado por Renata, Luiz Avelino e Luciane, o médico cede a sua posição na empresa para Luciane, que fica com 100% da Sonoar. O documento foi assinado no dia 5 de junho.

Na última quinta-feira (2), o deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) pediu a exoneração das secretárias estaduais de Saúde (Susam), Simone Papaiz, e da Comunicação (Secom), Daniela Assayag, do cargo nas pastas do governo do Amazonas. O parlamentar repercutiu ainda que o marido de Daniela, Luiz Carlos Avelino Júnior, apontado como sócio da empresa responsável pela venda superfaturada de ventiladores pulmonares a uma loja de vinhos, possui contrato de R$ 2,9 milhões com o governo para a prestação de serviços médicos.

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, deputado estadual Delegado Péricles, também defendeu, na sexta-feira (3), o afastamento das secretárias.

“Nós trabalhamos com fatos e os documentos que temos mostram que não são somente suspeitas. Ele era de fato sócio da empresa. Tanto que transferiu as cotas para a senhora Luciane. Ele agia como proprietário e teve facilidades para pagamento em tempo recorde, por meio da FJAP. Além disso, ele mantém outro contrato. Sendo assim, não há sustentação que justifique a permanência da esposa dele em cargo de alto escalão e que visivelmente facilita favorecimento no pagamento”, afirmou.