Sociedade atenta ao combate à corrupção e desvio de verbas públicas

O delegado da Polícia Federal Pablo Oliva, que atua no combate à corrupção, aponta que a população cresceu a atenção sobre um problema recorrente enfrentado pelas esferas do setor público

Manaus – O combate à corrupção e desvio de verbas públicas no Brasil e no Estado do Amazonas tem tomado os holofotes nos últimos anos com grandes operações que desbancam quadrilhas envolvidas em esquemas corruptos.

Para falar sobre o tema, a REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) entrevistou o delegado federal Pablo Oliva. Amazonense nascido em Manaus é servidor da Polícia Federal como delegado há 11 anos, onde atuou como chefe da Delegacia da Polícia Federal de Repressão a Crimes Fazendários até 2017; chefe da Delegacia da PF de Imigração de 2015 a 2017; chefe da Delegacia da PF de Combate aos Crimes Contra o Patrimônio de 2011 a 2015; e representante da Interpol no Amazonas até 2016. Em 2018, ele concorre ao cargo de deputado federal pelo PSL.

Delegado federal Pablo Oliva destacou que o combate aos desvios envolvendo dinheiro público é hoje uma preocupação constante da população. (Foto: Nathalie Brasil)

D.A – O combate à corrupção deveria ser mais discutido do Brasil? Falta tocar mais nesse assunto na sociedade?

P.O – A sociedade brasileira sempre teve muitas preocupações com as pautas urgentes do dia a dia, como a violência, a educação e a saúde das pessoas. Contudo, com o passar do tempo e a partir das grandes ações de combate à corrupção divulgadas pela mídia nacional, o brasileiro foi tomado por um sentimento de intolerância com a corrupção. Hoje, a preocupação principal dos amazonenses e de todos os brasileiros é com os desvios de dinheiro público e com a moralidade e a ética daqueles que nos representam.

D.A – Quem ou o que compõe a estrutura do combate à corrupção no País?

P.O – O enfrentamento da corrupção ocorre a partir de três principais frentes. Primeiro, através dos órgãos públicos de fiscalização, controle, investigação, apuração e julgamento das condutas de corrupção que atingem o dinheiro do povo, dentre eles, destaco o protagonismo da Polícia Federal, do Ministério Público, do Judiciário e dos órgãos de controle de contas e de tributos. Segundo, mediante a atuação das Organizações Não Governamentais, como a transparência brasil e a ONG contas abertas, que se mobilizam para mostrar à população para onde os recursos públicos estão sendo destinados. E, por terceiro, a importante participação do povo, que denuncia as práticas de corrupção e se organiza em instituições como o Movimento Nas Ruas e o Movimento Brasil Livre para dar voz aos clamores da população, já cansada de ser assaltada pelos corruptos.

D.A – Hoje, os órgãos de controle estão preparados para combater o crime organizado e os crimes de corrupção ativa e passiva?

P.O – Sim. No entanto, a legislação precisa ser aperfeiçoada e as instituições necessitam de investimento para melhor combater a criminalidade do colarinho branco. O crime está cada dia mais organizado e as polícias carentes de recursos e de pessoal. Investir em segurança pública é mais do que trazer tranquilidade às pessoas, é também garantir que o dinheiro que pertence ao povo será utilizado nos lugares certos.

D.A – Falta uma punição mais severa às pessoas que cometem crimes ligados ao desvio de verbas públicas, favorecimentos ilícitos e envolvimento em esquemas fraudulentos?

P.O – A legislação criminal no Brasil é uma colcha de retalhos. Cheia de delitos previstos em leis soltas e com punições mal calculadas, o que gera impunidade. Isso sem falar nos inúmeros benefícios que a criminalidade possui, como: audiência de custódia, indulto, penas alternativas e progressões de regime. Assim, mesmo que um bandido seja condenado a uma pena alta, em pouco tempo já estará nas ruas de novo, cometendo novos crimes, pelas inúmeras facilidades que a lei penal concede. Isso precisa mudar. O povo não suporta mais.

D.A – Nesse combate, o senhor acredita que as instâncias mais altas da Justiça estão em consonância com os tribunais de primeira instância?

P.O – Nesse ponto, o juiz Sérgio Moro já demonstra como a Justiça de primeira instância está dando muito mais resultado que os Tribunais Superiores. Sozinho, dr. Moro já condenou mais de cem pessoas na Lava Jato. Nesse tempo, o STF não conseguiu condenar ninguém. dr. Moro trabalha com apenas dois assessores e alguns poucos funcionários. O STF tem milhares de servidores e cada ministro tem dezenas de funcionários. Algo não vai bem. Mas, o povo está vendo. A população está atenta.

D.A- A que podemos atribuir o aumento da confiança no trabalho da Polícia Federal?

P.O- Décadas de trabalho, com honestidade e afinco, fizeram da Polícia Federal junto às Forças Armadas as instituições de maior credibilidade do Brasil. Os trabalhos executados pela Polícia Federal em todo o País demonstraram à população que ninguém está acima da lei e todos os que cometerem crimes, podem e devem responder à Justiça.

D.A – Como avalia a questão da corrupção no Estado?

P.O – Há muito ainda para ser feito. O combate à corrupção é uma limpeza que não pode parar. Nenhum dia. Não basta fazê-lo uma só vez. Todos os dias temos que estar vigilantes. Nesse aspecto, o amazonense já percebeu que deve ser o protagonista do combate à corrupção, e nos meios que estão ao seu alcance, participar dessa luta.

D.A – O senhor se coloca como candidato ao cargo de deputado federal pelo Amazonas. O que lhe motivou?

P.O – Por mais de uma década venho trabalhando como delegado de Polícia da PF para colocar atrás das grades os criminosos que tiram o sono dos amazonenses e que subtraem o dinheiro do povo, que paga pesados impostos e não vê o retorno desse dinheiro gasto. Sempre digo que investigar e prender corruptos é indispensável, contudo, é agir depois que o mal já foi feito. Pretendo, dessa forma, entrar na política para chegar antes, atuar dentro do parlamento fiscalizando e criando leis que impeçam que o suado dinheiro das pessoas seja desviado. Para isso, tenho o apoio incondicional do nosso futuro presidente Jair Bolsonaro que me escolheu como pré-candidato dele, no Amazonas, ao cargo de deputado federal. A missão é árdua, mas necessária. Vou me empenhar com todas as minhas energias para cumpri-la, se essa for a vontade de Deus e dos amazonenses.