Vereadores de Iranduba são presos suspeitos de cobrarem propina para aprovação de leis

Os vereadores Kelison Dieb (MDB) e Jakson Pinheiro (PMN), ambos parlamentares de Iranduba (a 27 quilômetros a sudoeste de Manaus), foram presos, na manhã desta quinta-feira (8), durante a operação ‘Avaritia’, deflagrada pelo Ministério Público do Estado (MPE-AM)

Manaus – Os vereadores Kelison Dieb (MDB) e Jakson Pinheiro (PMN), ambos parlamentares de Iranduba (a 27 quilômetros a sudoeste de Manaus), foram presos, na manhã desta quinta-feira (8), durante a operação ‘Avaritia’, deflagrada pelo Ministério Público do Estado (MPE-AM). Os dois são suspeitos de participarem de uma organização criminosa que cobrava propina para a aprovação de Projetos de Leis (PLs), na Câmara Municipal de Iranduba.

A procuradora-geral de Justiça, Leda Mara Albuquerque, relatou que as investigações apontam para o envolvimento de outros vereadores. Segundo ela, os valores cobrados pelos parlamentares dependiam da dimensão do projeto de lei, no âmbito da população.

“Se tivesse empresários envolvidos, o valor era maior. Se fosse um cidadão pequeno, do povo, era cobrado um valor menor. Os valores giravam em torno de R$ 2 mil a R$ 5 mil”, explicou. O MPE-AM ainda não tem informações se o esquema tem ligação com o poder executivo.

A procuradora-geral de Justiça, Leda Mara Albuquerque, relatou que as investigações apontam para o envolvimento de outros vereadores (Foto: Stephane Simões)

De acordo com o promotor de justiça do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), Claudio Tanajura, as investigações começaram em dezembro de 2018. A operação, deflagrada nesta quinta, cumpriu dois mandados de prisão, 15 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de busca pessoal que inclui a capital amazonense.

O promotor afirmou que, entre as vítimas, há empresários, “pessoas simples do povo” e representantes de órgãos públicos. Segundo o promotor do Gaeco, ainda há mandados a serem cumpridos. Os trâmites devem continuar, com o objetivo de investigar a participação de outros integrantes da organização criminosa.

“Todos os setores da sociedade estavam, de alguma forma, sendo atingidos por esse mal que é a corrupção. O poder legislativo, em Iranduba, virou um verdadeiro balcão de negócios. Não havia respeito pelo interesse da sociedade. Havia apenas a necessidade de procurar o próprio interesse dos vereadores”, disse.

Tanajura afirmou que, com o esquema criminoso, cada vereador chegou a movimentar entre R$ 50 mil a R$ 80 mil. Conforme o promotor do Gaeco, os parlamentares presos na operação estavam criando obstáculos para dificultar as investigações do MPE-AM.

“É salutar colocar aqui também, nesse sentido, que um deles tinha uma arma de fogo caseira e ilegal. Enquanto o outro, no momento em que estava sendo efetuada a prisão, jogou o celular dentro do vaso sanitário, como uma forma de destruir a prova”, acrescentou.

Anúncio