Vinte e uma capitais têm panelaço contra Bolsonaro, em nova manifestação

Moradores de ao menos 21 capitais fizeram panelaços contra o presidente. Marcados inicialmente para às 20h30, os atos ocorreram ao longo do dia, quando Bolsonaro participava de duas entrevistas

São Paulo – Pelo segundo dia consecutivo, o presidente Jair Bolsonaro foi alvo de protestos nas principais cidades do País nesta quarta-feira (18). Moradores de ao menos 21 capitais fizeram panelaços contra o presidente. Marcados inicialmente para as 20h30, os atos ocorreram ao longo do dia, nos horários em que Bolsonaro participava de duas entrevistas coletivas para falar sobre medidas para combater o coronavírus.

Desde o início da tarde, o presidente tentou neutralizar o efeito do protesto contra seu governo. Nas redes sociais e em uma das entrevistas, Bolsonaro divulgou a existência de um outro panelaço, que ocorreria às 21h e seria a favor do seu governo. Apesar dos esforços, houve registros de mobilização pró-governo em seis capitais até a conclusão desta edição.

Pelo segundo dia populares fazem ato contra presidente, como em SP (Foto: Daniel Teixeira/AE)

Ao participar de duas entrevistas nesta quarta-feira (18), Bolsonaro tentou demonstrar que está no comando do enfrentamento do novo coronavírus. Após passar dias afirmando que a pandemia estava “superdimensionada”, adotou outra estratégia. De máscara, ao lado de oito ministros, ele afagou o Legislativo e o Judiciário, disse que agora vê um momento de “grande gravidade”, mas não admitiu ter errado quando, no domingo (15), foi ao encontro de apoiadores que se aglomeraram diante do Palácio do Planalto. Sua participação nos atos rendeu críticas de políticos e médicos.

Apesar da estratégia, auxiliares do Planalto disseram que o saldo do dia foi negativo. Os panelaços foram vistos internamente como consequência de um “erro político” de Bolsonaro na condução da crise. A avaliação foi a de que o presidente demorou a reconhecer o problema, o que passou a impressão de que ele foi contra o sentimento da maioria da população.

Embora tenha moderado o discurso, o presidente afirmou nesta quarta que não descartava pegar “um metrô lotado em São Paulo” ou uma “barca no Rio de Janeiro”, na travessia até Niterói, para mostrar que está “ao lado do povo”. O Ministério da Saúde recomenda, no entanto, que as pessoas evitem aglomerações para evitar o contágio. “Não é demagogia ou populismo, (mas, sim) demonstração de que estou ao lado do povo na alegria e na tristeza”.

A mudança de tom de Bolsonaro também atende a interesses políticos. Enquanto ele continuava insistindo que a pandemia tinha como o pano de fundo uma “luta pelo poder” e somava reações negativas nas redes sociais, Alcolumbre e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, se organizaram para apresentar medidas. Bolsonaro foi, então, obrigado a mostrar iniciativa. Na entrevista, ele fez questão de citar os chefes dos Poderes como parceiros no enfrentamento à pandemia.

Em SP, ato pró-presidente sofre intervenção de opositores

O protesto marcado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro para começar às 21 horas desta quarta-feira (18) teve panelaço e gritos a favor, mas foi ‘invadido’ em alguns bairros de São Paulo por manifestantes contrários, que também gritavam “Fora, Bolsonaro”. Ao contrário dos atos a favor do presidente, que começaram às 20 horas e se estenderam até por volta das 20h45 com momentos de silêncio, as manifestações a favor duraram em muitos bairros até dez minutos.

O “panelaço pró” foi citado por Bolsonaro durante a entrevista coletiva com o ministério, na tarde desta quarta-feira.

No Limão, zona norte da capital paulista, os moradores a favor do presidente usaram vuvuzelas. Na Bela Vista, centro da capital, manifestantes também foram às janelas bater panelas a favor do governo. Na zona sul, o Jardim Marajoara também registrou manifestação bolsonarista. Na Saúde, mesma região, o panelaço recomeçou, mas contra o presidente, o que abafou manifestações a favor. Na Lapa, zona oeste, foram ouvidos o Hino Nacional, vuvuzela e algumas panelas.

Em Santos, no litoral paulista, o panelaço pró-Bolsonaro também se misturou a manifestações contra o presidente.

Apesar de manifestantes pró-Bolsonaro terem convocado panelaço a favor do presidente, esse tipo de manifestação, ao longo da história, foi marcado como um ato contrário a governos. Os primeiros panelaços surgiram no Chile para protestar contra o presidente socialista Salvador Allende em 1973. Em 1986 e 1989, os panelaços chilenos foram direcionados contra o ditador de extrema-direita, o general Augusto Pinochet.

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